Treino “Lisboa Devota”

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Lisboa é uma cidade fascinante no que diz respeito à arquitetura religiosa, sendo que é possível fazer uma viagem histórica pelas igrejas, da idade média até aos dias de hoje. Contudo, muitas há que sofreram um sem número de transformações ao longo dos tempos, em grande parte devido a acidentes naturais que afetaram Lisboa, como os terramotos de 1531 e 1755.

Este terá sido o treino, até ao momento, que mais preparação envolveu, quer pela quantidade de pontos a explorar no levantamento biográfico (37+3), quer pelos reconhecimentos conjuntos que foram feitos (1+3).

Os agradecimentos ao João Campos pelo cartaz concebido para o evento e também ao Nuno Tempera, Miguel Pinho, Luís Boleto, João Veiga e Hugo Gonçalves (além do João Ralha, que acabou por estar fora do país) pelo tempo disponibilizado para os reconhecimentos – e só o primeiro, de conjunto, demorou mais de 3h30 Smile

 

ETAPA 0 – A Chegada…
Bem cedinho pela manhã, começaram a juntar-se pessoas para mais uma viagem de descoberta pela cidade.

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Após uns minutos à conversa com os conhecidos e a conhecer alguns novos “locos que corren”, fizemos um pequeno briefing para explicar o que iríamos fazer e a relembrar os aspectos relacionados com a segurança.

Dos guias, o Tempera é o “boss” (ou isso ou tem medo das alturas Smile )

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Antes da partida tempo para uma foto de grupo dos Run 4 Fun e também para “La Legion” que dentro de uma semana vai fazer 101km em Ronda

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Estiveram também presentes atletas dos Bip-Bip Runners, Portugal Running, Magis, Tartarugas Solidárias, GeoRunners, Corporation Odivelas, Lebres do Sado e correrlisboa.com. O pelotão amador muito bem representado (se me esqueci de alguém digam…)

ETAPA 1 – Senhora Monte (1,6km)

Após a partida, tinhamos uma primeira etapa boa para aquecer (sempre a subir até à Senhora do Monte). A primeira igreja do caminho era “logo ali”…

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S.Vicente de Fora

Sao Vicente de Fora

A igreja foi construída entre 1582 e 1629, encostada ao antigo mosteiro fundado por D. Afonso Henriques para os cónegos regrantes de Santo Agostinho.
Aqui terão as tropas de D. Afonso Henriques ficado acampadas aquando a importante tomada de Lisboa aos Mouros, em 1147. Igreja e mosteiro honram o santo padroeiro da cidade desde 1173: São Vicente. O nome «de fora» tinha que ver com a circunstância de, à época, estar no exterior da muralha que protegia Lisboa.
As torres deste mosteiro sobressaem na paisagem lisboeta, mas curiosamente não é dos monumentos mais visitados. O interior do Templo em forma de cruz de Cristo apresenta uma única nave coberta pela célebre abóbada, albergando o maior órgão de Lisboa, datado de 1765. Merece destaque a azulejaria azul e branca: em grande parte decorado com azulejos, possuí o maior conjunto de azulejos barrocos do mundo — cerca de 100 mil: e  onde se veem as fábulas de La Fontaine contadas numa série de 38 painéis. A subida ao terraço é obrigatória: a vista oferecida sobre a cidade é única.

Depois seguiu-se a rampa da Voz do Operário até chegarmos à referida capela onde fizemos a primeira pausa para reagrupamento, aproveitando o fantástico miradouro para umas quantas fotos.

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Capela da Nossa Senhora do Monte

Senhora do Monte

A primeira ermida que existiu, perto deste local, foi construída em 1147 após a reconquista de Lisboa. Foi dedicada a São Gens de Lisboa (1º bispo de Lisboa, martirizado pelos romanos em 284).
Os frades Agostinhos, que tomavam conta da ermida, colocaram no seu interior, a lendária cadeira de pedra que pertencera ao santo. À volta desta cadeira surgiu uma lenda segundo a qual, as senhoras grávidas que lá se sentassem, tinham partos sem complicações (até Rainhas lá se iam sentar).
Após o terramoto de 1755, devastador nesta zona, a ermida ficou destruída. A atual Capela de Nossa Senhora do Monte, foi construída em 1796, num local um pouco mais acima da ermida original. A capela-mor está decorada com azulejos que narram cenas da vida da Virgem e ainda lá se encontra a cadeira de São Gens.
Em frente da Capela encontra um miradouro com uma magnífica vista sobre o mar da Palha, o Castelo de São Jorge, a baixa Pombalina, o rio Tejo, a Ponte 25 de Abril e o Bairro alto..

 

ETAPA 2 – Sta Luzia (2,6km)

Tinhamos definido que os “Guardiões” mudariam de posição a cada paragem para reagrupamento e calhou ao Miguel Pinho e ao João Campos a liderança do grupo nesta nova etapa.

Como tudo o que sobe tem que descer, íamos agora da colina mais alta de Lisboa até á Baixa.

 

Igreja e Convento da Graça

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Fundado em 1271, no antigo local conhecido por Almofala, onde D. Afonso Henriques acampou com as suas tropas durante o cerco a Lisboa em 1147, foi a sede da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho (ou Agostinhos Calçados) até à extinção da mesma em 1834.
O convento era conhecido por Convento de Santo Agostinho de Lisboa ou por Convento de São Gens de Lisboa, e só em 1305, cumprindo um voto feito em Roma pelo Geral da Ordem dos Agostinianos, é que foi consagrado a Nossa Senhora da Graça.
Com o terramoto de 1755 ficou em ruínas e é na reconstrução que adquire o atual estilo barroco. A sua fachada é sóbria e elegante, destacando-se um baixo-relevo dedicado a Santo Agostinho. No interior, encontra-se a imagem de Cristo presente nas procissões de Lisboa e o adro dá para um miradouro com uma das mais belas vistas sobre a cidade de Lisboa, mesmo ao lado do jardim da Graça.
Classificado como Monumento Nacional em 1910, serve atualmente como instalação militar, mas a Igreja está aberta ao público.

Aqui na passagem pelo jardim da Graça…

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Menino de Deus

Menino de Deus

A fundação da Igreja data de 1711 e foi ordenada pelo rei D. João V que esperava o nascimento de um herdeiro ao trono.
Localizada no Largo do Menino Deus, em Alfama, junto ao Castelo de São Jorge, tem semelhanças à Igreja de Santa Engrácia, pois foi projetada pelo mesmo arquiteto e está contígua ao hospital chamado de Mantelatos da Ordem Terceira de São Francisco de Xabregas, que já existia no local, e que albergava uma imagem milagrosa do Menino Jesus (ou como mais tarde ficou conhecida, Menino Deus), devota para os populares e que continua, hoje, no interior da Igreja.
Abriu as portas quando completou 300 anos no dia 4 de julho de 2011, mas esta igreja encontra-se quase sempre fechada. Para a visitar terá de tocar à porta ao lado da principal, e o que verá no interior é uma das igrejas mais impressionantes da cidade. Destaca-se a sua notável qualidade e originalidade arquitetónica, assim como o facto de ser uma das raras igrejas que escapou intacta ao grande terramoto de 1755. A rica decoração é quase toda em mármore, apresentando também pinturas de alguns dos maiores artistas do país na época. Serviu de modelo para muitas outras construções barrocas do país. Classificada como Monumento Nacional em 1918.

E após passarmos a Cerca Moura, chegamos a outro ponto de reagrupamento (para seguirmos para os meandros da Mouraria todos juntos).

Santa Lúzia

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Construída por cavaleiros da Ordem de Malta, no reinado de D. Afonso Henriques, e de invocação a S. Brás, funcionou como igreja fortaleza, devido à localização estratégica em termos defensivos. Ainda hoje é possível ver vestígios dessa época, nomeadamente a Cerca Moura (muralha mais antiga da cidade).
A Igreja atual invoca Santa Luzia, padroeira dos doentes oftalmológicos, e foi edificada sobre a anterior no século XVIII, após o terramoto de 1755. De destacar são os dois painéis da Fábrica Viúva de Lamego na parede lateral exterior, representando a Praça do Comércio antes do terramoto de 1755 e a invasão cristã do Castelo de São Jorge em 1147.
Situa-se num local de grande beleza, bem no miradouro de onde se tem uma vista privilegiada sobre o mais típico bairro de Lisboa: Alfama.

Nesta foto podem ser visto os referidos painéis…

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ETAPA 3 – Martim Moniz (4,5km)

Logo a seguir íamos encontrar 3 igrejas seguidas.

Sé Catedral

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Enquanto noutras cidades a catedral é o mais grandioso dos monumentos religiosos, em Lisboa essa distinção vai para um mosteiro (o dos Jerónimos) e uma basílica (da Estrela).
A única catedral de Lisboa e a igreja mais antiga, conhecida inicialmente como igreja de Santa Maria Maior, foi construída no século XII por ordem de D. Afonso Henriques. Os militares que faziam parte da Segunda Cruzada à Terra Santa passaram por Portugal e concordaram em ajudar a expulsar os mouros de Lisboa em troca de uma parte do saque. Entre os que decidiram abandonar a Cruzada e ficar em Lisboa a ajudar na reconstrução, estava Gilbert of Hastings que seria o primeiro bispo à frente da Sé: o nome deriva de Sedes Episcopalis (SE).
A Sé de Lisboa tem um interior austero e é diferente das outras catedrais europeias por lembrar um castelo quando vista de fora. A sua edificação seguiu planos militarizados: devido às constantes ameaças de invasões árabes: que a dotou de uma estrutura robusta, com torres e ameias defensivas. Era antes de mais uma fortificação, e só depois um local de culto. Foi construída por cima de uma antiga mesquita no século XII, misturando o romanesco e o gótico. Os acrescentos posteriores, renovações e calamidades naturais, alteraram o seu casco medieval. A Sé é hoje uma mistura de estilos arquitetónicos, em resultado das sucessivas obras de reconstrução.
À esquerda da entrada pode ver-se a pia onde Santo António de Lisboa (o santo padroeiro de Portugal desde 1934) foi batizado em 1195. Nas traseiras encontra-se o claustro do século XIV que revelou vestígios das épocas romana, visigótica e moura em escavações arqueológicas. E no piso superior está o Tesouro da Sé – uma rica coleção de trajes eclesiásticos, peças de ourivesaria religiosa, estátuas, manuscritos decorados com iluminuras e relíquias de São Vicente, o santo padroeiro de Lisboa. A peça mais preciosa é a arca que contém os restos mortais de São Vicente.
Diz a lenda que dois corvos se mantiveram em vigília permanente sobre o barco que transportou estas relíquias até Lisboa. Os corvos e o barco tornaram-se assim no símbolo da cidade.

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Santo António

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Igreja construída no local da casa onde Santo António nasceu e viveu a sua infância, uma estátua com a imagem do mesmo pode ser vista em frente.
A Cripta, com entrada pela sacristia, é tudo o que resta da igreja original que foi destruída pelo terramoto de 1755. A nova igreja foi iniciada em 1757 sob a direção do arquiteto da Basílica da Estrela. Foi parcialmente paga pelas crianças que pediam “um tostãozinho para o Santo António”. O chão da Igreja encontra-se coberto de moedas, em alusão a isso e nas paredes estão expostas mensagens de devotos. No interior, um painel de azulejos modernos evoca a visita do Venerável Papa João Paulo II em 1982. Manda a tradição que os jovens que tencionam casar, no dia do casamento visitem a igreja e rezem e deixem flores ao Santo.
Santo António era português, nasceu em 15 de Agosto de 1195, com nome de batismo Fernando Martins de Bulhões, e era descendente de famílias nobres e abastadas, assim como também muito cristãs.
Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (atual Sé de Lisboa) tendo por mestres os cónegos Regrantes de Santo Agostinho a cuja Ordem pertenceu, depois de entrar como noviço no Mosteiro de São Vicente de Fora. Vai depois para Coimbra (ao tempo o centro intelectual do País), onde no Convento de Santa Cruz estudou Direito.
Seduzido pelo ideal missionário e com a intenção de se dedicar à propagação da fé, pede para trocar de Ordem e se juntar aos franciscanos que tinham eremitério nos Olivais, e muda o nome de Fernando para António. Em 1221 passou a fazer parte do Capitulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio São Francisco, o fundador.
Morre a 13 de junho de 1231, em Pádua, aos 36 anos de idade e com uma vida de intensa pregação da Palavra de Deus em Portugal, e depois na Itália e na França. Reconhecidas a doutrina e a Santidade de António de Pádua, foi canonizado antes de completar-se 1 ano de sua morte (11 meses).
Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja Católica, venerado não só em Pádua, onde foi construída uma maravilhosa Basílica que conserva os seus despojos mortais, mas em todo o mundo. São queridas aos fiéis as imagens que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus no colo, em recordação de uma milagrosa aparição mencionada por algumas fontes literárias”

Cruzámo-nos nesta altura por um grupo grande de franceses que muito animaram a nossa viagem Smile

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Madalena

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Incorporadas na parede do edifício da Travessa do Almada encontram-se quatro lápides romanas (Lápides das Pedras Negras, por terem sido descobertas em 1753, junto à rua com o mesmo nome). Uma das lápides é um ex-voto à deusa Cibele, a deusa-mãe, e estava junto aos restos de um edifício que alguns estudiosos creem tratar-se das ruínas de um templo à deusa Cibele, existente nos terrenos onde foi edificada a Igreja.
A primitiva Igreja da Madalena datava do século XII (construída em 1164, por ordem de D. Afonso Henriques, junto à cerca moura), tendo sido sucessivamente alterada ao longo dos séculos seguintes:
  • 1363: um incêndio destruiu a igreja, tendo D. Fernando I mandado reconstruí-la;
  • 1512: a capela-mor sofreu alterações, em plena época manuelina;
  • 1600: foi parcialmente destruída devido a um ciclone;
  • 1755: com o terramoto sofreu destruição quase total. Dona Maria I mandou reconstruir a igreja novamente desde os seus alicerces (1761-1783), na qual se revela os sinais claros da sobriedade que caracteriza a construção pombalina e se aproveita elementos de outros edifícios destruídos no terramoto, como muitas construções lisboetas.
  • 1798: é construído o adro avançado sobre a rua.
  • 1907: um pavoroso incêndio destruiu totalmente a Igreja, que voltaria de novo a ser reconstruída, tal como a encontramos nos nossos dias.
A Igreja pertence à Irmandade do Senhor Jesus dos Perdões, Santa Catarina e Nossa Senhora de Belém e tem, no seu interior, uma imagem de particular veneração, do Cristo do Perdão, que apresenta a singularidade de ter o braço descolado da cruz.
Segundo reza a lenda, passava à frente da Igreja um preso proveniente do Limoeiro que se dirigia ao patíbulo para ser castigado por um crime que teimava em afirmar que não cometera. Na ânsia de provar a sua inocência fugiu aos guardas que o acompanhavam e, entrando na Igreja ajoelhou pedindo à imagem que desse um sinal da sua inocência. Quando os guardas o iam levar de novo, o braço da imagem desprendeu-se da cruz, dando assim a prova da inocência que o preso pedira, sendo este finalmente ilibado do crime.
A classificação como Monumento Nacional, nesta igreja, diz respeito apenas ao portal principal, em estilo manuelino, que alguns autores afirmam ter vindo da Igreja da Conceição dos Freires, também destruída, e que por sua vez transitou para a antiga Igreja da Misericórdia, hoje Conceição Velha.

Logo a seguir passamos no Largo do Caldas (agora renomeado) e entramos no bairro da Mouraria.

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São Cristóvão

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A igreja do mártir São Cristóvão de Lícia, que se ergue na velha Mouraria no topo das afamadas Escadinhas de São Cristóvão, em sítio dominante na textura da Costa do Castelo de São Jorge, e que ocupa o local onde existiu uma Ermida de Santa Maria de Alcamim, é um dos raríssimos edifícios da capital que foi milagrosamente poupado pelo terramoto de 1755 na quase totalidade.
A ermida, de inícios do século XIII, terá ficado muito destruída devido a um incêndio no séc. XVI. Em 1610 recebe profundos restauros e alterações, ficando pronta em 1672. A fachada apresenta um estilo Maneirista, típico do séc. XVII, com um portal no centro, encimado por um nicho com a imagem de São Cristóvão. As paredes são revestidas de pinturas com molduras de talha dourada e o teto é largamente decorado com pinturas setecentistas.
Nas traseiras, seguindo o Beco de São Francisco à esquerda da entrada, encontra-se o pequeno Largo da Achada com uma curiosa casa medieval.

Aqui está a casa mediaval…

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Na Mouraria um bebedouro que mesmo com todos os reconhecimentos me tinha passado despercebido.

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E depois duns “single tracks” pelas ruas tipicas da Mouraria, surpreendemos alguns ao chegar de repente ao Martim Moniz.

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Capela de Nossa Senhora da Saúde e de São Sebastião

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Está situada no Bairro da Mouraria, na R. Martim Moniz, em local antigamente situado fora de portas da cidade.
No início do século XVI (1506), terá sido construída uma ermida dedicada a S. Sebastião, mártir romano do final do século III. Em Portugal foi objeto de uma devoção muito viva, como advogado contra os males da peste, da fome e da guerra. Entre nós, a peste tinha feito centenas de vítimas em 1506, e a construção da igreja foi da iniciativa dos artilheiros (na altura, bombardeiros) da guarnição de Lisboa.
A devoção a Nossa Senhora da Saúde teve início em Portugal, na época da “grande peste”, em meados do século XVI. Contínuas epidemias surgiram no Reino e uma muito grande que vitimou milhares de pessoas, no ano de 1569, chegou a fazer mais de 500 vítimas por dia. El-Rey D. Sebastião recebe uma petição para que se faça uma cerimónia religiosa com toda a solenidade, devoção e demonstração de reconhecimento a Nossa Senhora. Em 20 de Abril de 1570, realiza-se a primeira procissão de Nossa Senhora da Saúde. Tendo diminuído o número de mortes, a festiva procissão tornou-se uma tradição que dura até aos nossos dias.
A imagem de Nossa Senhora da Saúde foi colocada na existente ermida de S. Sebastião, que assim mudou de nome e passou a  ter a proteção, não só de reis, rainhas e príncipes, mas também de fidalgos, militares e beneméritos.
D. Pedro V, em 1861, elevou a ermida à dignidade de Capela Real.

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ETAPA 4 – S. Jose (6,4km)

A etapa seguinte era a mais longa. Começamos por subir uma parte da Almirante Reis, passando pelo “novo” Intendente, onde temos a sede inicial da casa “Viúva Lamego”

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Anjos

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A Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, reconstruída em 1910 e inaugurada em 27 Abril 1911, provém de uma antiga que foi demolida em 1908, para facilitar a abertura da Avenida Rainha D. Amélia, hoje Avenida Almirante Reis. O edifício em estilo neoclássico completou 100 anos em 2011, mas toda a decoração do interior é do século XVII (na foto pode ser observada a anterior igreja).

Ao chegar a esta igreja, saímos da Almirante Reis e seguimos para a Bemposta. Passámos aqui na Rua Francisco Lázaro, que homenageia o malogrado maratonista. Mais à frente o busto de D. Catarina…

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Capela da Bemposta

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Catarina de Bragança, filha do nosso D. João IV, foi rainha de Inglaterra durante 23 anos, pelo seu casamento com Carlos II, Rei de Inglaterra. Foi ela que introduziu em Inglaterra o chá no século XVII, e o transformou na instituição que conhecemos por “five o’clock tea”, e pela apresentação da compota de laranja amarga, que se tornou na célebre marmalade inglesa (era natural de Vila Viçosa, onde abundavam as laranjas). Ao ficar viúva, volta a Portugal (1693) e edificou o Paço da Rainha, em terrenos no sítio da Bemposta – local fora da cidade, à época.
Depois do terramoto de 1755, o paço ficou bastante danificado. A capela foi reconstruída de raiz e aqui habitava o príncipe regente D. João, antes da partida para o Brasil (1808). Voltou ao Palácio da Bemposta, já como D. João VI, após o regresso da Família Real, onde viria a falecer em 1826.
Para além da fachada, a escadaria exterior é a imagem de marca da Capela do Paço da Bemposta, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Subindo a escadaria encontram-se à entrada duas estátuas de mármore representando Santa Isabel e São João Baptista. Já no interior, pode admirar-se uma decoração influenciada pela Igreja de São Roque, misturando o barroco, o rococó e o neoclássico. O interior tem um recheio artístico luxuoso com pinturas na abóbada da nave e no teto da capela-mor, órgão e pavimento em mosaico policromático.
Desde 1850, aqui está instalada a Academia Militar e o Paço foi classificado como monumento nacional em 2002.

Depois disto passamos no belo jardim do Campo de Santana:

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E, para quem se apercebeu, tivemos na descida para a Rua das Pretas, um bónus – uma igreja não católica: Igreja Portuguesa da Cientologia (famosa pelos seus devotos Tom Cruise e Travolta).

A míuda gira do Treino das Padarias andava “por ali” a rondar… começo a desconfiar que ela aproveita estes treinos para me seduzir Smile

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São José dos Carpinteiros

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A origem desta igreja está na fundação, em 1532, da Confraria de S. José, formada por carpinteiros e pedreiros. Uma das razões plausíveis para a sua fundação terá sido a ocorrência do terramoto de 1531 a que se seguiu um grande esforço de reconstrução. É natural que nos tempos seguintes tivesse aumentado significativamente o número de mestres naqueles ofícios, ao ponto de terem a sua própria confraria.
Inicialmente instalada na Igreja de Santa Justa e Santa Rufina, em 1546 a Confraria construiu uma ermida, que ficava fora das portas da cidade (no caso, à saída das Portas de Santo Antão), na zona então chamada de “Entre Hortas”.
Em 1567 a ermida passa a igreja paroquial da então recém-criada freguesia de São José, após os confrades decidirem ampliar a ermida, novamente a despesas próprias.
Reedificada após o terramoto de 1755, traduz uma arquitetura barroca e pombalina, destacando-se o seu portal com um medalhão com a figura de S. José em baixo-relevo.
Nessa altura, foi pedido à Confraria que acolhesse na sua Igreja, mais concretamente na Casa da Mesa, as reuniões da “Casa dos Vinte e Quatro”, conselho corporativo instituído em 1383 por D. João I, que reunia 2 representantes dos 12 ofícios mais importantes de Lisboa (teve um papel importantíssimo na mobilização da população e apoio à causa do Mestre D’Avis).
Alguns exemplos: Ferreiros (padroeiro: S. Jorge); Livreiros (S. Miguel); Sapateiros (S. Crispim); Correeiros (N.S. Conceição); Pasteleiros (N.S. Mercês); Pedreiros e Carpinteiros de casas (S. José); Tecelões (S. Gonçalo); Confeiteiros (N.S. Oliveira); Alfaiates (N.S. Candeias) e Carpinteiros de móveis (N.S. Encarnação

Logo a seguir o ponto de reagrupamento (antes duma surpresa “durinha” do treino)

 

São José

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Igreja situada no local ocupado em tempos pelo Mosteiro dos Frades Agostinhos Descalços de Santo Antão, que em 1539 o cederam por troca às Irmãs Dominicanas da Nossa Senhora da Anunciada, invocação que viria a permanecer, apesar do Convento ter ruído completamente com o Terramoto de 1755.
As religiosas mudaram-se para Santa Joana e no local foi construída esta Igreja, edificada pela irmandade do Santíssimo Sacramento para sede da paróquia, que desde 1567 estivera na Igreja de São José dos Carpinteiros.
A sua construção teve início em 1863, prolongando-se até 1883, altura em que foi benzida no mês de Agosto, embora os trabalhos não estivessem concluídos na sua totalidade.

 

ETAPA 5 – Ginginha (7,1km)

Para chegar à próxima igreja era preciso “pagar promessa” Smile O Lavra esperava-nos

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Nossa Senhora da Pena

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Enraizada entre a Avenida Almirante Reis e a Avenida da Liberdade, a Freguesia da Pena ocupa uma das colinas de Lisboa – a de Santana. Fundada como freguesia (Santana) em 1564, tinha antes a igreja paroquial na Igreja do Mosteiro de Sant’Ana.

Inaugurada em 1705, na Calçada de Sant’Ana, esta igreja esconde um rico interior em talha dourada. Tal como muitas outras igrejas portuguesas, a simples fachada não dá qualquer indicação da opulência da decoração encontrada no interior, uma das primeiras manifestações artísticas onde se afirma a pujança do “barroco joanino”. A igreja foi pioneira deste novo estilo em Lisboa, considerado arrojado na época.

Com o terramoto de 1755 a Igreja dedicada a Nossa Senhora da Pena, sofreu estragos consideráveis, o que forçou, enquanto duraram as obras de recuperação, a que a paróquia funcionasse em vários locais. Só em 1763 regressou para a Calçada de Sant’Ana, até ao presente.

Na descida para o Rossio ainda passamos num convento (agora casa de recolhimento)

 

Convento da Encarnacao

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A construção primitiva do convento data de 1630 e tinha como principal objetivo abrigar as Comendadeiras da Ordem Militar de São Bento de Avis.
A fachada principal do Convento apresenta o brasão de armas da sua fundadora, D. Maria, filha de D. Manuel (dizem os boatos que esta princesa se perdeu de amores por Camões, e vice-versa).
Com a extinção das ordens religiosas (1834), o convento conheceu muitas readaptações funcionais, tendo sido transformado em Recolhimento da Encarnação e, a partir de 1945, integrou os Recolhimentos da Capital, que são equipamentos da Segurança Social constituídos por antigas casas “conventuais” ou “senhoriais”, dispersos pela cidade de Lisboa (Encarnação, Grilo, Santos-o-Novo, São Cristóvão e Merceeiras), e cujo objetivo principal é o acolhimento em habitações próprias, de pessoas idosas. Este convento recebe filhas ou viúvas de condecorados com a Comenda de Aviz. Cada uma tem um “apartamento” decorado com mobiliário trazido pela própria e frequentemente levavam uma criada para as servir!
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Já nesta imagem, do séc. XIX, impressiona o contraste entre o esplendor da arquitetura e a miséria humana.
Funciona na igreja do Convento, quase desde a sua fundação (1643), uma irmandade de senhoras das melhores famílias lisboetas, as Escravas do Santíssimo Sacramento, que ainda hoje subsiste e até gere o espaço. Essas damas todos os anos realizam uma cerimónia anual e é um contraste vê-las chegar ao largo da Encarnação, vestidas de Chanel, em preto, cinza e branco, com colares de pérolas genuínas, muito bem penteadas, numa elegância contida, já rara nos dias de hoje. Toda a população do bairro, que é uma mistura da velha Lisboa popular, com paquistaneses, brasileiros, chineses e ciganos romenos fica boquiaberta a olhar para aquelas senhoras muito distintas, em cortejo à entrada da Igreja. É outra vez o contraste entre o luxo e a sordidez. Durante a cerimónia, as senhoras usam a capa da Ordem de Aviz e levam as condecorações de pais ou maridos.
Apesar de ser um magnífico monumento da cidade, destacando-se a sua majestosa capela-mor, encontra-se quase sempre fechado ao público. Apenas deixam visitar a igreja, aos Domingos, às 9 horas, quando há uma missa aberta.

E aí estamos nós a meio do nosso treino. Que grande grupo este!

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São Domingos

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Já ouviram falar que algures em Lisboa há uma igreja cujo interior foi preservado com as mazelas de um grande incêndio que sofreu já no séc. XX? Provavelmente já lá passaram à porta e não fazem ideia do que existe no seu interior.
Não é das Igrejas mais visitadas de Lisboa. Não corremos o risco de andar por ali a tropeçar em grupos de espanhóis ou japoneses, como acontece nos Jerónimos. O modesto edifício exterior não deixa adivinhar a opulenta beleza dentro de portas. Pelo contrário, a chusma de gente que por ali se reúne diariamente até nos afasta do local. Mas vale a pena fazer um esforço e entrar.
A maior parte das pessoas ao visitar pela primeira vez a Igreja fica boquiaberta. A dimensão única da nave (é a Igreja mais ampla de Lisboa) supera qualquer ideia que se tenha dela quando estamos no exterior. Depois somos contagiados pela mística luz da igreja e por fim reparamos na pedra, que foi parcialmente consumida pelo fogo.
Situada à direita do Teatro Nacional D. Maria, a Igreja de São Domingos, ou é abençoada ou amaldiçoada. Nenhuma outra igreja enfrentou tantos desastres naturais: os terramotos de 1531 e 1755 (que destruiu a maior parte da Baixa) e um incêndio enorme em 1959.
O Convento de São Domingos de Lisboa foi fundado em 1242 e albergava os frades dominicanos. O terramoto de 1531 arruinou muito o Convento, que teve que ser reedificado em 1536. Tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a capela-mor, mandada fazer por D. João V e desenhada pelo arquiteto João Frederico Ludovice (o mesmo do Convento de Mafra). Foi a partir da reconstrução dessa capela, feita por Carlos Mardel (principal arquiteto do Aqueduto das Águas Livres), que surge a atual igreja. O seu portal, e a sacada que o encima, foram das poucas coisas salvas da Capela-Real do Paço da Ribeira após o terramoto. Com todas as obras de remodelação e reconstrução, ainda são visíveis elementos de diferentes períodos, influências e estilos arquitetónicos. O traço medieval foi desaparecendo, dando lugar ao estilo barroco e aos traços maneiristas.
Em 1959, um violento incêndio destruiu por completo a decoração interior da igreja. É reconstruída (reabriu em 1994), mas deixando à vista de todos as marcas da destruição. É dos aspetos mais interessantes, e ao mesmo tempo mais impressionantes, deste monumento. As paredes, as colunas, os altares, mostram bem esses vestígios: há zonas queimadas, há pedaços partidos ou em falta. Tudo o que não é original é bem visível, pela utilização de um cimento laranja, que o destaca propositadamente, dando-nos uma dimensão palpável das tragédias que se abateram sobre esta igreja.
Sobressaem as colunas de pedra gigantes (chamuscadas e com cortes/incisões), a policromia dos mármores e um cheiro persistente a madeira queimada. Nenhuma outra igreja em Lisboa apresenta esta atmosfera, verdadeiramente única. A estranha combinação arquitetónica antiquada com moderna contribui para um aspeto sinistro da igreja, como se as paredes alaranjadas escondessem segredos.
A atmosfera sombria é um contraste enorme com a congregação que enche a Igreja aos Domingos e dias festivos, que são predominantemente de origem africana, com as suas roupas coloridas e uma disposição permanentemente alegre. O largo em frente à Igreja é um ponto de encontro popular para as comunidades luso-africanas. Este forte laço, resulta da origem africana dos párocos que prestam suporte aos emigrantes recém-chegados na sua transição para uma nova realidade.
Outro motivo de afluência ao local é um popular “buraco-na-parede” onde se vende a verdadeira, a genuína (conforme os cartazes na entrada) Ginjinha de Lisboa. Vale a pena provar.
A Igreja de São Domingos é famosa também por albergar no seu interior algumas das relíquias do chamado “milagre de Fátima”: parte do lenço de Lúcia e o terço de Jacinta, usados quando se deu o milagre do sol, no dia 13 de Maio de 1917.
Era neste Convento que a Inquisição lia as suas sentenças e que saíam em procissão os condenados à fogueira. Sendo durante muito tempo uma das maiores de Lisboa, aqui se celebraram alguns dos importantes casamentos e batizados Reais.
De notar a Estrela de David presente no exterior da Igreja e que marca o local onde se iniciou um massacre antissemita sangrento em 1506. (mais informação deste assunto em nota biográfica no fim do post)

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ETAPA 6 – Largo Carmo (9km)

Passagem pela Praça da Figueira…

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E na Baixa temos muitas igrejas (até algumas “desactivadas”…)

 

Antigo Convento de Corpus Christi

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A fundação deste antigo convento deve-se à Rainha D. Luísa de Gusmão para agradecer que D. João IV  tenha saído ileso da tentativa de regicídio quando ali passou pegando uma das varas do pálio na procissão do Corpo de Deus, em 1647.
Finalizado em 1684, foi doado aos frades Carmelitas Descalços de Santo Alberto (como ao lado ficava a antiga Rua dos Torneiros ou da Tornearia, o povo passou a chamar-lhes “Frades Torneiros”).
Destruído em 1755 pelo Terramoto e pelo consequente incêndio, sobreviveram parte do corpo da igreja e alguns espaços conventuais, que foram adaptados à estrutura arquitetónica e às ordens  impostas para a reconstrução da Baixa.
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o convento foi vendido e transformado em habitação e arrendamento comercial. A original igreja de planta circular com o zimbório octogonal encimado por um pináculo é ainda visível atualmente, bem como o portal da entrada da igreja, hoje convertido em acesso a um prédio típico da baixa..

Depois de contornar o Convento vamos passar em frente de nova igreja…

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São Nicolau

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A Igreja de São Nicolau, padroeiro das crianças de tenra idade e da pobreza, tem origem no início do século XIII (1229) e foi reconstruída no mesmo século, em 1280, por iniciativa do bispo D. Mateus.
O presente edifício data do século XVIII, com obras começadas na década 70 do século anterior, devido ao Terramoto de 1755.
Um cuidadoso restauro concluído em 2010 incluiu a recuperação de um magnífico órgão do século XVIII e das pinturas no teto representando as três virtudes cardeais: Fé, Esperança e Caridade..

E antes da subida para o Chiado e para o Largo do Carmo, mais uma igreja…

Nossa Senhora da Vitória

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A primeira capela dedicada a Nossa Senhora da Vitória foi fundada em 1556, sendo pertença da Irmandade dos Caldeireiros. Agregou a si um Hospício, que se encontrava adstrito ao Hospital de Todos-os-Santos, por vontade expressa dos Caldeireiros e de alguns devotos da Virgem da Vitória.
Em 1755 a primitiva capela e o Hospício de Nossa Senhora da Vitória foram inteiramente destruídos pelo terramoto. As obras de reconstrução só foram concluídas em 1824.
Na atual igreja pode ver o órgão que veio, em 1793, do coro dos Carmelitas Descalços

Escadas ao lado dos armazéns do Chiado…

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Santissímo Sacramento

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O Arcebispo de Lisboa criou em 1584 a Paróquia do Santíssimo Sacramento. Mas só em 1667 se iniciou a construção duma igreja paroquial (onde é atualmente o Largo do Carmo), junto ao palácio dos marqueses de Arronches, que embargaram a obra em fase de acabamentos por prejudicar as vistas do seu palácio. Foi depois  transferida, com a construção de novo templo em 1671-1685, para terrenos do conde de Valadares, onde se encontra atualmente.
Em 1750, após a conclusão do restauro iniciado em 1746, era uma igreja barroca com a grandiosidade que hoje ostenta. Esse templo foi completamente destruído pelo terramoto de 1755. Nas ruínas do templo ficaram sepultados 75 fiéis, entre eles o Padre Sebastião de Carvalho, encontrado nos escombros 18 meses depois da tragédia, intacto, tanto ele como as suas vestes.
A atual igreja foi reedificada, entre 1772-1807, mantendo a planta da primitiva igreja e aproveitando os grossos paredões que resistiram ao sismo. É o ex-libris da reconstrução pombalina em edifícios religiosos. Nela trabalharam os melhores artífices da época, utilizando os melhores recursos disponíveis: pedra, mármores, madeiras, ferragens. O pórtico da igreja está voltado para oriente, para contemplar a Deus que nos visita como sol nascente, sendo a única em Lisboa com esta orientação.
É a única igreja em Lisboa onde a missa, ao domingo à tarde, ainda é em Latim.

E chegamos a um ponto de paragem regular, por ter “abastecimento liquido”…

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Nª Senhora do Vencimento do Monte do Carmo do Rio de Janeiro

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O Convento do Carmo e a sua Igreja de Nossa Senhora do Vencimento do Monte do Carmo do Rio de Janeiro foram fundados em 1389 como convento da ordem das Carmelitas pelo Condestável do Reino D. Nuno Álvares Pereira, devido a um voto feito na Batalha de Aljubarrota.
Em 1404, D. Nuno Álvares Pereira doou ao convento o seu património e, mais tarde, professou na ordem dos carmelitas e doou-lhes o convento.
A igreja do convento era a principal igreja em estilo gótico de Lisboa, com 72 metros de comprimento. Infelizmente o terramoto de 1755 e os subsequentes incêndios destruíram grande parte do convento, da igreja e da biblioteca que continha mais de 5000 livros.

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O convento foi reconstruído no início do século XX num estilo neo-gótico, é hoje utilizado como quartel da GNR, e durante a Revolução dos Cravos, foi no quartel do Carmo que o Presidente do Conselho do Estado Novo, Marcelo Caetano, se refugiou dos militares revoltosos.
As ruínas da Igreja do Convento são das imagens mais belas e comoventes de Lisboa. Um dos mais importante testemunhos da grande catástrofe de 1755, apresentando uma das principais marcas deixadas pelo terramoto, ainda visíveis na cidade.
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Nas ruínas está o Museu Arqueológico do Carmo que vale a pena visitar pois tem objetos pré-históricos assim como o túmulo decorado do Rei Dom Fernando I e até um índio peruano mumificado.

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O que resta da igreja é visível da Praça do Rossio.

 

ETAPA 7 – Merces (10,7km)

Para passar na seguinte igreja tinhamos que subir novamente, pelas Escadinhas do Duque…

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Igreja Jesuítica de São Roque

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A legendária Igreja de São Roque situa-se em pleno Bairro Alto, no Largo Trindade Coelho, também conhecido por Largo da Santa Casa.
A Igreja começou a ser construída em 1506, junto a um cemitério onde eram enterrados os que morriam de peste, situado já fora das muralhas da cidade, e dedicada a São Roque, protetor da peste.
Aqui se institui a Irmandade de São Roque, com estatutos próprios, e em 1553 instala-se a Companhia de Jesus  em Portugal que edifica sobre a construção anterior a estrutura visível hoje em dia, mantendo a Capela de São Roque no interior. Foi a primeira igreja jesuíta a ser desenhada no estilo “igreja-auditório”, especificamente para pregação.
Em 1768, a Companhia de Jesus é expulsa do território Português, ficando a Igreja de São Roque e os respetivos bens então entregues à Misericórdia de Lisboa, estando hoje em dia expostos no Museu de Arte Sacra de São Roque, ao lado da Igreja.

Depois seguimos para o largo do chiado, com passagem pela Trindade…

 

Basílica da Nossa Senhora dos Mártires

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D. Afonso Henriques ia hasteando a bandeira das Quinas em muitas terras deste reino nascido em Ourique, mas Lisboa permanecia em poder dos mouros. Conquistá-la seria fator decisivo para a consolidação do reino e, também, para a expansão do cristianismo.
Não sabendo bem como realizar essa conquista, o nosso primeiro Rei vê surgir no mar o auxílio necessário: a Virgem Maria! Uma sua imagem, lindíssima, vem na primeira linha da Armada dos Cruzados, composta por cerca de 13 mil homens distribuídos por 200 navios, provenientes da Alemanha, da Flandres, da Normandia e, maioritariamente, da Inglaterra. Havia partido do porto inglês de Dartmouth e dirigia-se à Terra Santa para resgatar aos infiéis os Lugares de Jesus. Sabendo qual o destino dos Cruzados, pede-lhes ajuda na conquista de Lisboa, argumentando que muito agradaria a Deus que nesta terra, aonde havia chegado o Apóstolo São Tiago Maior, se consolidasse a fé cristã. Depois de terem estado vários dias aportados no Porto onde decorreram as negociações sob a mediação do Bispo do Porto, fundeiam no Tejo a 29 Junho de 1147. A tomada de Lisboa irá demorar 4 meses!
O Rei fez um voto que de imediato cumpriu quando as portas da cidade se abriram, em 25 de Outubro de 1147, quatro dias após a rendição do governador muçulmano: edificar em honra da Santíssima Virgem uma ermida onde se pudesse venerar aquela sagrada imagem e que permanecesse como memória, para os vindouros, da proteção prestada aos soldados que, de forma inexplicável, dado o poderio das forças infiéis, dilataram o reinado de Cristo e conquistaram a cidade de Lisboa. Num terreno fora das muralhas da cidade, benzido pelo Arcebispo de Braga, que permanecia junto do Rei desde o início da batalha, foram sepultados aqueles a quem, de imediato, os populares chamaram mártires, por terem dado a vida para que Lisboa se tornasse cristã.
No Ano de 1750, após a conclusão do restauro iniciado em 1746, a Basílica dos Mártires era uma igreja barroca com a grandiosidade que hoje ostenta. Esse templo foi completamente destruído pelo terramoto que devastou Lisboa em 1 de Novembro de 1755. O presente templo começou a ser construído em 1769 e foi terminado em 1786, ostentando um profuso estilo Barroco tão característico da marca Pombalina do Lisboa pós terramoto de 1755. Pode-se ler no interior a seguinte inscrição “Nesta paróquia se administrou o primeiro batismo depois da tomada de Lisboa aos Mouros no ano de 1147”.
O grande orgulho da Basílica dos Mártires é o seu teto de abóbada em arco com alegorias dedicadas ao rei D. Afonso Henriques e à tomada de Lisboa. Outros dos grandes destaques deste templo é o órgão, considerado mesmo dos melhores do País, recentemente alvo de grandes obras de restauro

E aqui vamos nós nas antigas Portas de Santa Catarina (vejam que era aqui que começava a cidade)

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Nossa Senhora da Encarnação

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Inaugurada em 1708, foi edificada por ordem da Condessa de Pontével, D. Elvira de Vilhena, demolindo-se então parte da Muralha Fernandina do século XIV e uma torre de vigia, situada a sul.
Situa-se no Chiado, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Loreto. As duas igrejas marcavam, assim, uma das entradas da cidade: as Portas de Santa Catarina.
Completamente arrasada pelo terramoto de 1755 e o consequente incêndio, foi bastante alterada na restauração, entre 1784 e 1875, de acordo com as orientações da arquitetura religiosa impostas pelo Marquês de Pombal no novo plano da Baixa.
Na fachada neoclássica, com alguns elementos decorativos “rocaille”, podemos ver as imagens de Santa Catarina que faziam parte da antiga porta medieval

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Nossa Senhora do Loreto (Italianos)

Nossa Senhora do Loreto

A igreja tem origens remotas em inícios do século XIII. A devoção a Nossa Senhora do Loreto foi trazida para Portugal pelos mercadores Venezianos e Genoveses que se instalaram na região, daí o nome.
Inicialmente perto das muralhas que defendiam Lisboa no século XIV, a igreja foi reconstruída após o terramoto de 1755, segundo um projeto do mesmo arquiteto do Teatro de São Carlos.

 

Chiado

No século XII, o sítio da Pedreira era uma região inóspita, completamente abandonada. Mas em 1755, à data do terramoto que devastou Lisboa, tinha já bastantes famílias residentes e uma vida própria. O sítio da Pedreira designava-se já por Chiado, alcunha de um taberneiro ali estabelecido no século XVI, com bastante clientela, e, ao que parece, bom apreciador do vinho que vendia… Ao fim da tarde já “chiava como um chibo”.
O Chiado formava um quadrilátero assim delimitado:
  • o ângulo mais oriental era ocupado pelo convento do Espírito Santo da Pedreira, hoje os Armazéns do Chiado;
  • a ocidente, as portas de Santa Catarina, rasgadas na muralha Fernandina da cidade;
  • o ângulo norte era a junção das cercas dos conventos da Trindade e do Carmo;
  • o ângulo sul, no Monte Fragoso, voltada para ocidente, a Basílica dos Mártires, vizinha do convento de São Francisco da Cidade, construído a partir de 1217.
No Monte Fragoso, onde existira em tempos uma necrópole moçárabe, foram sepultados os Cruzados ingleses e os soldados portugueses, mártires da tomada de Lisboa aos mouros. Ali, em 1147, procedeu D. Afonso Henriques ao lançamento da pedra fundamental dos alicerces da primitiva ermida de Nossa Senhora dos Mártires.

Seguiu-se a Calçada do Combro

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Santa Catarina do Monte Sinai (ou igreja do Convento dos Paulistas)

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O Convento dos Eremitas de S. Paulo foi construído em 1647. A igreja do convento invocava inicialmente o Santíssimo Sacramento. Em 1835, depois da extinção das ordens religiosas, passou a igreja paroquial de Santa Catarina, função que ainda mantém. Situada na Calçada do Combro, passa despercebida no caminho para o Chiado, numa zona da cidade de Lisboa, onde se situa maior densidade de edifícios apalaçados, de grande porte e beleza arquitetónica. Mas a igreja de Santa Catarina é um dos exemplos mais representativos do estilo barroco português do séc. XVII, onde o estuque, a talha e a pintura se combinam em harmonia.
No interior, no entanto, encontra-se uma das mais belas e suntuosas decorações barrocas da cidade, quase toda em talha dourada completada em 1727. É das obras artísticas mais impressionantes de Lisboa, incluindo o estuque no teto rococó e o órgão monumental que é uma verdadeira obra-prima em talha dourada, o cadeiral seiscentista do coro-alto, as pinturas de Bento Coelho da Silveira, o retábulo em mármore do Senhora Jesus da Pobreza e a Capela de Nossa Senhora da Atocha, oferecida em 1681 pelo reconhecido pintor de azulejos Gabriel del Barco. O altar-mor é considerado o exemplar mais destacado da arte da talha durante o reinado de D. João V, e inclui esculturas de Santa Catarina, de São Paulo e de Santo Antão de origem flamenga. A antiga livraria conventual, atual Biblioteca do Exército, é considerada uma réplica, de menores dimensões, da existente no Convento de Mafra.
Santa Catarina é considerada padroeira dos estudantes, filósofos e professores. É uma santa e mártir cristã, nascida na cidade egípcia de Alexandria, que se alega ter sido uma notável intelectual no início do séc. IV. Morreu decapitada, por ordem do imperador romano Maximino, mas ao invés de sangue saiu leite: por isso, as mães que amamentam recorrem também à sua intercessão. O corpo desapareceu milagrosamente, e terá aparecido, incorrupto, três séculos mais tarde, encontrado por monges no pico mais alto do Monte Sinai (monte onde Moisés recebeu as Tábuas da Lei com os 10 mandamentos) e levado para o Mosteiro local.
A escassez de documentos históricos e o aspeto lendário de sua vida levam a crer que ela representa um ideal, talvez a versão cristã da filósofa Hipátia de Alexandria, cuja biografia apresenta exatamente os mesmos elementos da lenda de Catarina.
Foi ouvindo a voz de Santa Catarina, numa visão, que Joana d’Arc encontrou a espada que usaria em sua missão e que mudaria a história da França. Era uma das vozes que falavam com ela (com S. Margarida e o Arcanjo S. Miguel) e a instruíram na sua missão de salvar a França.

E chegada a novo ponto de reagrupamento…

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Mercês

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A sua origem remonta aos séculos XVII e XVIII, com arquitetura maneirista e barroca. A igreja atual resulta da reconstrução executada após o terramoto de 1755 que alterou a sua feição inicial.
Com o fim das ordens religiosas em Portugal, em 1834, a igreja do Convento de Nossa Senhora de Jesus é reconvertida em igreja paroquial da paróquia das Mercês, papel que desempenha até hoje. A enquadrar a igreja podemos encontrar, no mesmo largo, o antigo edifício do Convento de Jesus: onde desde 1838 está situada a Academia das Ciências:, o Liceu de Passos Manuel, o Hospital de Jesus e o palácio Mendia, entre outros.

E aqui comprovamos a nossa devoção, para admiração dos trausentes Winking smile

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ETAPA 8 – N.S.Oliveira (12,7km)

Finalmente tinhamos um ínicio de etapa sem subidas…

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Era agora tempo de passagens por sitíos emblemáticos de Lisboa, como o Poço dos Negros, o Conde Barão e a Rua de São Paulo

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São Paulo

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A zona de São Paulo sempre foi uma zona comercial preferencial e por isso mereceu particular atenção após o terramoto de 1755. A primitiva igreja de São Paulo, de 1412, que ficou destruída pelo incêndio do sismo, teve o seu projeto de reedificação, invertido relativamente à orientação da igreja antiga, e seguindo traçado típico do Convento de Mafra. Na fachada pode ver-se uma imagem representando a “Conversão de São Paulo”.
A nova igreja é um bom exemplar da arquitetura pombalina, pois aqui se formaram os principais engenheiros e arquitetos que foram responsáveis pela reconstrução da cidade após o terramoto.

Na zona do Cais do Sodré, desta vez não encontrámos a “fauna” noctivaga com que nos cruzámos em outros treinos…

 

Corpo Santo

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Como faz parte da topografia da Baixa Pombalina, a Igreja do Corpo Santo apresenta traços da arquitetura religiosa pombalina. Por ter sido obra de frades irlandeses, tem características invulgares relativamente a outros edifícios religiosos portugueses.
Outrora pertença da Ordem do Dominicanos Irlandeses, fugidos das perseguições religiosas por Henrique VIII e que aqui pediram asilo, tinha inicialmente convento, igreja e colégio onde formavam jovens irlandeses para o sacerdócio e depois os enviavam de volta para a  Irlanda, em segredo, para manter acesa a fé católica. Quando em 1856 se instalou a paz entre a Igreja Católica na Irlanda, os frades venderam o convento e parte do colégio.
A igreja atual não é a original que ficou totalmente destruída no terramoto de 1755. A igreja reconstruída no séc. XVIII foi dedicada a Nossa Senhora do Rosário e distingue-se pela nave octogonal dentro dum retângulo (confere ao espaço o significado de símbolo perfeito), pela cúpula hemisférica rematada por um lanternim, permitindo a entrada de mais luz e pela fachada com um frontão triangular em cujo tímpano se pode ver o símbolo da Ordem dos Dominicanos irlandeses
Na década de 1980, o Cardeal Patriarca de Lisboa nomeou o Corpo Santo como a Paróquia dos Católicos de Língua Inglesa da Diocese.

Belas imagens da chegada aos Paços do Concelho…

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São Julião

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A primitiva igreja datada do século XIII ficou completamente destruída pelo terramoto de 1755, obrigando à sua total reedificação que só se iniciou em 1802 ficando concluída em 1810 (sobre esta igreja pode ainda ler as notas finais relativas às sinagogas de Lisboa).
Foi vendida em 1933, pela proprietária, a Arquiconfraria do Santíssimo Sacramento, ao Banco de Portugal. Com a verba assim obtida a Arquiconfraria adquiriu o terreno onde viria a ser construída a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, nas Avenidas Novas; por este motivo, parte significativa do espólio foi transferido para a nova Paróquia, ali se conservando até aos nossos dias.
A igreja, durante muitos anos utilizada pelo BP como garagem e depósito de cofres-fortes desativados, foi restaurada e requalificada (o BP decidiu gastar aqui 34M€) e ali se inaugurou em 2012 o Museu do Dinheiro

E tinhamos depois a igreja “mais escondida de Lisboa”…

 

Nossa Senhora da Oliveira

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É possível estar mesmo à porta desta igreja sem se dar por ela. Encontra-se inserida num típico edifício pombalino, mas o seu pequeno interior é uma bela surpresa.
A igreja original, também designada por Sta. Maria da Oliveira, foi fundada no início do séc. XIV, no reinado de D. Fernando, do lado sul da Igreja de S. Julião. A atual é a reconstrução de 1762 depois da primeira ter ficado destruída no terramoto e veio a ser reedificada perto do seu local primitivo, embora subordinada ao esquema da urbanização pombalino.
No interior encontramos paredes revestidas por painéis de azulejos azuis e brancos, com decoração rococó, e imagens originárias da extinta Igreja de S. Julião e da ermida primitiva (Santo António, S. Marçal e Sra. da Oliveira)

 

 

ETAPA 9 – S. Estevao (14km)

Depois da paragem no arco da Rua Augusta, seguimos viagem

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Nossa Senhora da Conceição Velha

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Em 1496 a judiaria grande é extinta e a sua sinagoga é incorporada para o culto cristão transformando-a em Igreja da Conceição dos Freires. Os danos causados pelo terramoto de 1755 foram tais que os poucos bens que sobraram foram integrados na reconstrução da antiga Igreja da Misericórdia, ficando então com a designação de “Conceição Velha”.
A primitiva igreja existente no local, a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, era o segundo maior templo da Lisboa manuelina a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Fora mandada edificar por D. Manuel I e concluída em 1534, como sede da Misericórdia.
A sua fachada é hoje, juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, uma das melhores estruturas manuelinas sobreviventes ao grande terramoto. O altar-mor corresponde à capela do Santíssimo Sacramento da antiga Igreja da Misericórdia. Está classificada como monumento nacional desde 1910.

E depois da Casa dos Bicos, um sitio peculiar: entrar em Alfama “por dentro dos prédios Smile

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São João da Praça

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Segundo a tradição, neste mesmo local existiria anteriormente uma ermida dedicada a São João Degolado, mandada construir pelo pai de Santo António, que foi destruída durante o terramoto de 1755. Nada restou da primitiva capela, e a atual igreja foi construída em 1789 em pleno reinado de D. Maria I.

Temos duas igrejas quase seguidas na passagem por Alfama… (veja também a nota abaixo sobre as antigas sinagogas de Lisboa, pois passamos pelo local duma delas, entre estas duas igrejas) 

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São Miguel

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Situada no típico Bairro de Alfama, a Igreja de São Miguel tem origens bem antigas, remontando provavelmente aos inícios da própria nacionalidade Portuguesa, no século XII. Igreja maneirista e barroca, foi totalmente reconstruída entre 1673-1720. Ficou danificada pelo terramoto de 1755, tendo sido rapidamente recuperada.
Esta igreja tem sempre turistas a passar à porta. No entanto, quase ninguém pode entrar para admirar o seu belo interior, pois encontra-se quase sempre fechada. Abre só uma ou duas vezes à semana, para missa à sexta-feira à tarde (17h00) ou bem cedo ao domingo. Tem uma das mais ricas decorações em talha dourada da cidade, e é por isso um dos monumentos mais surpreendentes de Lisboa.

E antes da próxima paragem, o engraçado Beco do Carneiro (que no treino dos Chafarizes percorremos em sentido contrário)

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Santo Estevão

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Também conhecida como Igreja do Santíssimo Milagre, o templo original data do século XII, mas foi completamente reedificado entre 1733 e 1740. Tem atualmente uma torre sineira, conferindo-lhe um perfil irregular mas singular. De facto, teve uma outra torre, mas foi destruída devido ao terramoto de 1755, tendo essas obras de reconstrução mantido a mesma encerrada até 1773.
Um dos melhores exemplares do barroco português, possui grande diversidade de azulearia e talha. A sua orientação norte-sul confere-lhe um maior impacto urbanístico e do adro a vista é bela e ouve-se os ruídos do cais, bem próximo. Vale pela localização e pela simplicidade e foi classificada como Monumento Nacional em 1918

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ETAPA 10 – Panteão Nacional (14,7km)

Estavamos agora a 600 metros do fim (muitos suspiros de alívio se ouviram)

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E cá estamos nós na subida final…

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Santa Engrácia:

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Quem de nós não usou já a expressão “obras de Santa Engrácia”? Mas será que sabemos a sua origem?
Estamos no campo de Santa Clara, ao lado do local onde se realiza a célebre Feira da Ladra. Em 1568 a infanta D. Maria, filho de D. Manuel I, devota de Santa Engrácia, mandou construir uma pequena igreja em homenagem à Santa da sua predileção. Essa antiga igreja foi severamente danificada por um temporal em 1681. A primeira pedra do atual edifício, o primeiro em estilo barroco no país, foi lançada no ano seguinte.
Simão Pires, um cristão-novo, todos os dias ía ao convento de Santa Clara encontrar-se às escondidas com Violante (feita noviça à força pelo pai por esse amor). Um dia marcaram a sua fuga, mas no dia seguinte Simão foi preso pelos homens do Rei acusado do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia, que ficava perto do convento.
Para não prejudicar Violante, Simão nunca revelou porque era visto no local e acabou condenado à morte na fogueira. A punição teve lugar junto das obras da igreja de Santa Engrácia, e quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem.
As obras perduraram tanto tempo que deram origem à expressão popular “obras de Santa Engrácia” para designar algo que nunca mais acaba.
Classificada como Monumento Nacional, em 1916 a inacabada igreja é destinada a ser o Panteão Nacional. Porém só em 1956 Salazar decide finalizar as obras do monumento, o que viria a acontecer em 1966, por ocasião dos 40 anos do regime – ano escolhido também para inaugurar a atual Ponte 25 de Abril.
Aqui jazem algumas das grandes figuras da história portuguesa recente. Para além da sepultura da cantora de fado Amália Rodrigues, encontram-se os restos mortais dos escritores João de Deus, Almeida Garrett e Guerra Junqueiro e dos Presidentes da República Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona. São ainda evocados por cenotáfios (memorial fúnebre) Luís de Camões, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque, Nuno Álvares Pereira, Vasco da Gama e do Infante D. Henrique.
Quase 300 anos  de construção, numa igreja que nunca o chegou a ser – a única missa que ali foi dita foi a do 7.º dia da morte de António de Oliveira Salazar.
É possível subir-se até ao terraço da cúpula para apreciar uma bela vista sobre a cidade.

Seguiu-se a tradicional foto de grupo e ainda ouve oportunidade para quem assim o quis de partilhar um piquenique “desportivo” em formato: Cada um trás qualquer coisa e partilhamos Smile

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Gostava de felicitar os mais de 100 “maluquinhos” que partilharam connosco a manhã, pela disponibilidade e permanente boa disposição que  trouxeram para o treino. É por isso que tanta gente gosta dos Treinos Temáticos.

 

Deixei para o fim a prova documental da técnica do homem elástico Smile

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NOTAS FINAIS:

Durante a pesquisa relativamente a estes espaços de culto, três episódios ou temas me pareceram relevantes para conhecimento. Optei por acrescentar estas notas relativamente aos mesmos: Massacre de 1506, Sinagoga de Lisboa e Terramoto de 1755.

1) Massacre de Lisboa de 1506 (ou Matança da Páscoa)

Pogrom 1506Lisboa - Cidade da Tolerancia

Em 1492, os reis católicos de Espanha expulsaram todos os judeus do país. Cerca de 93.000 fugiram para Portugal nos anos seguintes pois D. Manuel I era bem mais tolerante, mas a pressão de Espanha levou a que se exigisse a conversão dos mesmos em 1497 (ou a morte em praça pública).
Em 1506, Portugal atravessava uma seca e era assolado pela peste. Enquanto algumas pessoas rezavam no Convento de São Domingos, alguém jurou ter visto no altar o rosto de Cristo – que seria uma mensagem de misericórdia do Messias, um milagre. Quando um cristão-novo (judeu convertido) tentou explicar que se tratava do reflexo de uma luz, foi calado pela multidão, que o espancou até a morte.
A partir daí, a multidão tornou os judeus no bode expiatório da seca, da fome e da peste: três dias de massacre se sucederam, numa autêntica orgia de terror e morte. Os frades dominicanos incitavam a populaça, gritando bem alto: “…Que quem matar a descendência de Israel, tem garantia de 100 dias de absolvição no mundo que há-de vir.”
O Rei estava em Abrantes, fugido à peste, quando tudo se iniciou. Enviou magistrados para pôr fim ao banho de sangue mas as poucas autoridades presentes foram postas em causa e, em alguns casos, obrigadas a fugir. Homens, mulheres e crianças foram torturados, massacrados, violados e queimados em fogueiras improvisadas junto ao largo de São Domingos. Os judeus foram acusados entre outros “males”, de deicídio (morte de Cristo) e de serem a causa da profunda seca e da peste que assolava o país. A matança durou três dias – 19 a 21 Abril, na Semana Santa de 1506 – e só acabou quando foi morto um escudeiro do rei por engano e as tropas reais finalmente chegaram para restaurar a ordem.
Após o massacre, com um clima de crescente hostilidade para com os judeus e com o estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) em 1540 (perdurou até 1821), muitas famílias judaicas fugiram ou foram expulsas do país, tendo como destino principal os Países Baixos.
Este episódio ficou como que apagado da memória coletiva, um pedaço de história esquecida que não está nos livros de História, caiu no esquecimento e são poucos os historiadores que lhe fazem referência. Apesar disso, encontra-se descrições da violência feitas por Damião de Góis, Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Garcia de Resende, Salomon Ibn Verga e Samuel Usque.
Um romance recente que aborda este período denomina-se “O Último Cabalista de Lisboa”, por Richard Zimler.

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2) Sinagoga Grande de Lisboa (Sec. XV)

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Podem ser encontradas diversas versões (desencontradas) relativamente à localização da Sinagoga de Lisboa e que Igreja a substituiu. Existiram 3 sinagogas em Lisboa entre os séc. XII e XV, por vezes em simultâneo.
a) Sinagoga na Judiaria Velha, ou Judiaria Grande
A Sinagoga Grande de Lisboa, construída em 1306, deveria ser um edifício sumptuoso para a época, pois constituía uma atração turística importante. Estava situada próximo da igreja da Madalena (templo cristão, dedicado à judia arrependida Miriam de Migdal). Em 1496 deu-se a extinção das judiarias com a conversão obrigatória de todos os judeus (depois denominados cristãos-novos).
Em 1502, o rei D. Manuel troca a propriedade da extinta sinagoga por terreno que considerava ótimo para construção de um mosteiro junto ao mar, em Belém. Ali se encontrava uma pequena ermida pertencente à Ordem de Cristo. No local da Ermida do Restelo, doado à Ordem de São Jerónimo, irá ser construído o futuro Mosteiro. A Ordem de Cristo enviou os freires que se encontravam na ermida do Restelo para a igreja consagrada a Nossa Senhora da Conceição, entretanto edificada no espaço ocupado anteriormente pelo templo judaico. Iriam manter-se aí até ao terramoto de 1755. Em 1698 é construída a igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição na vizinha Rua Nova dos Ferros e a, até então, Igreja da Conceição dos Freires passa a ser chamada Conceição Velha, em contraponto a esta conhecida como Conceição, a Nova.
Após o terramoto de 1755, na reconstrução pombalina, todos estes elementos se conjugaram para causar alguma confusão na história da sinagoga.
A Igreja da Conceição dos Freires ou Conceição Velha não foi incluída no plano pombalino de reconstrução da Baixa lisboeta; Em vez disso, o rei D. José deu aos frades o sítio da sumptuosa igreja da Misericórdia, na atual Rua da Alfândega, que também havia sido destruída pelo sismo.
Aí foi construída em 1770 a igreja, que ainda hoje existe, e que perdeu a sua invocação original passando a ser a “nova” Conceição Velha. Talvez por isso, alguns autores de renome viriam a localizar, erradamente, a Sinagoga Grande de Lisboa na Rua da Alfândega, por via da sua identificação com a destruída Igreja da Conceição dos Freires.
A primitiva igreja existente no local, a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, era o segundo maior templo da Lisboa manuelina a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Fora mandada edificar por D. Manuel I e concluída em 1534, como sede da primeira Misericórdia do país, confraria instituída em 1498 por iniciativa de D. Leonor, irmã do rei. Depois do terramoto, em 1768, D. José instalou a Irmandade da Misericórdia na Igreja de São Roque, então vaga na consequência da expulsão dos Jesuítas;
O portal manuelino da Igreja da Madalena será proveniente da primitiva Igreja da Misericórdia (manuelina) ou da Igreja da Conceição dos Freires (anterior sinagoga)?
Entretanto a Igreja da Conceição Nova foi reconstruída em 1794 para substituir a primitiva que tinha ficado muito destruída pelo terramoto. Foi demolida em 1950 para dar lugar ao atual edifício da Caixa Geral de Depósitos que contempla o quarteirão entre a Rua do Ouro e a Rua Nova do Almada. Era nesta última rua que se localizava a fachada principal da igreja.
Judiaria Grande
1 – Igreja Madalena
2 – Conceição Velha (antiga Misericórdia)
3 – s. Nicolau
4 – Senhora da Vitória
5 – “Nova” Conceição Nova
6 – Sinagoga (Conceição dos Freires)
7 – Igreja São Julião (agora estacionamento do Banco de Portugal)
8 – Nª Senhora Oliveira
rectangulo laranja – aproximadamente a Judiaria Velha
Linha Verde – aproximadamente a Rua Nova dos Ferros, ou dos Mercadores (“Velha” Conceição Nova)

b) Sinagoga na Judiaria Nova, ou Judiaria Pequena
É provável que a sinagoga da Judiaria Pequena estivesse situada no sítio onde se encontra a igreja de S. Julião, pelo facto de que, na reconstrução de Lisboa depois do terramoto, se construiu uma igreja no sítio onde anteriormente tinha existido uma anterior, sendo certo que no reinado de D. Manuel, a Sinagoga da Judiaria Pequena também foi transformada em igreja.
c) Sinagoga da Judiaria da Alfama, ou Judiaria Pequena da Torre de S. Pedro
O Engº. Vieira da Silva, competente olisipógrafo, descobriu na Torre do Tombo um documento manuelino sobre a “ysnoga da Alfama”. Segundo os dados nesse documento, encontra-se uma casa moderna de quatro andares, no Beco das Barrelas, nº 8 onde se situava a antiga sinagoga.
Este beco é uma estreita e curiosa viela em forma de U, em frente da Rua da Judiaria e do Largo de S. Rafael. A Rua da Judiaria ainda existe e, embora já tivessem desaparecido a Torre e a porta de S. Pedro, conhece-se o sítio onde a dita Torre se encontrava, pelo facto de ter sido marcado o respetivo emblema, as chaves de S. Pedro, numa laje embutida na parede de encosto do pequeno Largo de S. Rafael, onde desemboca a Rua da Judiaria.
 

 

 

3) Sismo de 1755

terramoto 01
Os especialistas dizem que foi o maior desastre natural jamais registrado até hoje, mais intenso do que o tsunami ocorrido na Indonésia em 2004. Foi também um fenómeno com um grande impacto na época por toda a Europa, com alguns historiadores a equipararem o mesmo ao atentado de Setembro 2001…
O abalo de magnitude 8,75 na escala de Ritcher, fez entre 40 a 90 mil vítimas, calculando-se que só em Lisboa tenham morrido 30 mil das 200 mil pessoas que habitavam a capital na época. O património também foi afetado, tendo sido destruídas ou irremediavelmente danificadas 32 igrejas, 60 capelas, 31 mosteiros, 15 conventos e 53 palácios.

Lisboa pré-terramoto 1755


Sábado, 1 de Novembro de 1755, dia da festa de Todos os Santos


9h00:
O dia amanheceu com um calor desajustado para a época. Lisboa fervilha num movimento pouco usual. Os sinos repicam, a chamar os fiéis, em todas as capelas e igrejas da cidade e as missas sucediam-se.  Os criados abriam caminho aos seus senhores e os seus gritos juntavam-se ao barulho dos sinos e misturavam-se com a cacofonia de pedintes, bufarinheiros, vendedores, aguadeiros, pregões de mezinhas. Surge então um som horrível, vindo das profundezas da terra.
9h40:
A terra começa a estremecer. Durante 7 a 10 minutos a cidade é revirada (para quem o viveu deve ter parecido uma eternidade). Demoliu uma elevada quantidade de edifícios, deixando outros em ruínas, cobriu tudo com pedra e caliça, formam-se fendas de várias dimensões nas ruas. Centenas de pessoas ficam soterradas e os mortos enchem as ruas.
Sendo dia santo, as igrejas e as casas mais ricas estavam muito engalanadas e existiam velas por todo o lado. Com o tremor de terra ateavam-se incêndios, que reduziam os escombros a cinzas. O céu fica escuro devido ao fumo, aos gases sulfúricos exalados pela terra e à poeira, tornando a atmosfera quase irrespirável.
10h30:
Fez-se sentir um novo abalo, desta vez menos intenso. Com os desmoronamentos e incêndios, muitos sobreviventes procuraram refúgio na zona ribeirinha. A costa do Tejo estava pejada de pessoas que tentavam passar para a outra margem e que assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do rio cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Existem relatos de que em Cascais o mar recuou 5km…
10h50:
Viajando a mais de 600km/hora, aparece no horizonte um maremoto, com ondas que chegavam a 20 metros, que fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas avançado por mais de 500 metros de terra e penetrado até Campo de Ourique (daí a expressão “resvés Campo de Ourique”), destruindo as embarcações no rio e tudo aquilo que pelo seu caminho encontrou. Muitos dos sobreviventes nas casas destruídas vieram a falecer nas ondas do maremoto.
Onde o tsunami não chegou, continuava um gigantesco incêndio que, durante 6 dias (todos tinham fugido e não havia quem o apagasse), completou o cenário de destruição de toda a Baixa de Lisboa.
 
RECONSTRUÇÃO POMBALINA:
D. José I e a família encontravam-se, na altura, no «campo real» de Belém, onde o sismo não se fez sentir com tanta intensidade. O rei ficou tão perturbado com a tragédia que ganhou uma fobia a recintos fechados e viveu o resto da sua vida num complexo luxuoso de tendas no Alto da Ajuda – a Real Barraca, receando viver em edifícios de pedra.
Nenhum dos Secretários de Estado compareceu em Belém a fim de receber instruções do monarca e enfrentar a situação. Sebastião José de Carvalho e Melo, então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, foi a exceção. A expressão «enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos», que alguns defendem ser da autoria do Marquês de Alorna, acabou por tornar-se no lema de ação de Carvalho e Melo perante a tragédia, enquanto as pessoas influentes e a própria família real se afastavam de Lisboa.
Ninguém melhor que o Marquês de Pombal soube, então, impor-se aos acontecimentos. A segurança pública foi um dos aspetos com que o Marquês de Pombal mais se preocupou, sendo sua intenção, com esta atitude, manter a confiança da população. Impediu a sua fuga ao providenciar socorros e distribuir alimentos. Puniu severamente os que se dedicavam ao roubo de habitações. Solicitou às pessoas que desobstruíssem as ruas e deu jazida aos mortos, atando-lhes pesos e lançando-os ao mar, evitando epidemias.
De imediato começou a pensar na reconstrução de Lisboa. Neste mesmo ano, já se estudava as opções: uma nova cidade sobre os escombros da antiga ou uma nova cidade em Belém, zona menos sujeita a abalos sísmicos?
Escolhida a primeira das soluções, foi adotado um modelo em que eram proibidas as obras de iniciativa particular; os proprietários dos terrenos foram obrigados a reconstruir segundo o plano geral num espaço de 5 anos, sob pena de serem obrigados a vender os terrenos. Neste plano urbanístico, é imposto um traçado geométrico ortogonal, com hierarquização de vias, definidas em função das duas Praças mais emblemáticas da cidade: o Rossio, centro comunitário, e a Praça do Comércio (antigo Terreiro do Paço), centro político e económico.
Na altura alguém perguntou ao Marquês de Pombal para que serviam ruas tão largas, ao que este respondeu que um dia hão-de achá-las estreitas…
Com D. Maria I, o último quartel de setecentos salda-se pela continuidade das reformas iniciadas pelo Marquês de Pombal. Lisboa equipa-se com alguns monumentos notáveis: a Basílica da Estrela, o Teatro de S. Carlos e o Palácio da Ajuda.
 
IMPACTO NO MUNDO:
O Terramoto de Lisboa abalou muito mais que a cidade e os seus edifícios. Lisboa era a capital de um país católico, com grande tradição de edificação de conventos e igrejas e empenhado na evangelização das suas colónias. O facto de o terramoto ocorrer num dia santo e destruir várias igrejas importantes levantou muitas questões religiosas por toda a Europa. Para a mentalidade religiosa do século XVIII, seria uma manifestação da ira divina de difícil explicação.
Na política, o terramoto foi também devastador. O ministro Marquês do Pombal era o favorito do rei mas não do agrado da alta nobreza, que competia pelo poder e favores do monarca. Depois de 1 de Novembro, a eficácia da resposta do Marquês do Pombal (cujo título lhe é atribuído em 1770) garante-lhe um maior poder e influência perante o rei, que também aproveita para reforçar o seu poder e consolidar o Absolutismo. Isto leva a um descontentamento da aristocracia que iria culminar na tentativa de regicídio e na subsequente eliminação dos Távoras. Para além do agravamento das tensões políticas em Portugal, a destruição da cidade de Lisboa frustrou muitas das ambições coloniais do Império Português de então.
Da análise de testemunhos da época, é percetível o efeito que o Terramoto também provocou ao nível das mentalidades em toda a Europa, sendo frequentemente considerada como um dos acontecimentos com maior impacto mediático na época.
O ano de 1755 insere-se numa era fulcral de uma grande transformação social: a Revolução Industrial, o Iluminismo, o Capitalismo lançam as bases de uma sociedade moderna em alguns países da Europa Ocidental. O terramoto influenciou de forma determinante muitos pensadores europeus do Iluminismo. Foram muitos os filósofos que fizeram menção ou aludiram ao terramoto nos seus escritos, como Kant ou Voltaire, que escreveram importantes reflexões sobre a génese de fenómenos naturais de tão grande escala e sobre as leis que governam a natureza. A arbitrariedade da sobrevivência foi, provavelmente, o que mais marcou Voltaire. Assim se aprofundou a substituição da religiosidade e pensamento religioso para o positivismo (propor à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica).
Mais tarde, no século XX, o terramoto passou a ser comparado ao Holocausto – uma catástrofe de tais dimensões que só poderia ter um impacto profundo e transformador na cultura e filosofia europeia.

 

 

Por fim os meus parabéns e agradecimentos pelas fantásticas reportagens fotográficas (de que me aproveitei nas fotos do treino aqui disponibilizadas) ao José Carlos Melo, Manuela Cruz, Paulo Fernandes, Pedro Carvalho, Pedro Pinho e Paulo Caetano.

 

O próximo Treino Temático já tem tema – “Nos Passos de Pessoa” (levantamento feito pelo Paulo Lapão) e data – 13 de Junho (comemoração de 125 anos do seu nascimento)

Até breve Smile

5 thoughts on “Treino “Lisboa Devota”

  1. Muito bom relato! Grande trabalho de pesquisa!
    ass: a miuda gira que te anda a seguir nor treinos ahahaha

  2. Extraordinário e exaustivo trabalho de pesquisa, que te deve ter dado uma trabalheira, mas também muito gozo.
    Eu aprendi imensas pequenas coisas e várias curiosidades… é incrível o que existe na nossa História e nós não sabemos… pensamos que fomos sempre “bonzinhos”…
    Obrigada pelo relato!
    Para a próxima, prometo que acompanharei o grupo por mais tempo ….. eheheheh😉

  3. muito bom, o treino e o relato! vou ter que repetir o caminho agora com todo este saber! tera ainda mais sabor!

  4. Parabéns pela organização deste excelente Treino. Este relato é indispensável para repetir o percurso!

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