Corrida Solidária Padaria Portuguesa

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Tudo começou numa “piada” da Mónica no início de Dezembro… “pois, pois, temos é que fazer um treino das Padarias” Winking smile

Verifiquei quais as lojas que eles tinham (entre a minha pesquisa e o contacto com eles decorreu 2 semanas… foi o suficiente para abrirem mais 2 lojas !!!  hehehehe), analisei que tipo de volta se podia dar e procurei contactos junto da empresa… e o Nuno Carvalho e o Zé Diogo, donos da Padaria Portuguesa, tornaram-se forte apoiantes da ideia logo após o primeiro contacto.

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E em 2 meses preparámos o caminho até aqui…Os Run 4 Fun aderiram em força e temos vários elementos a colaborar na organização, a actividade solidária visa ajudar as crianças da Casa de Acolhimento Mão Amiga e, mesmo com a chuva forte, vieram mais de 400 pessoas correr ou caminhar por uma causa (além do Pão de Deus a maravilhar no fim) Smile

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Padaria Portuguesa

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A ideia surgiu no meio do trânsito e vai de encontro a um hábito muito português: ir ao pão… ir à bica…

Surge assim uma espécie de “Starbucks do pão” Smile.

Uma rede de padarias com produtos de qualidade e que possa fazer regressar a antiga vida bairrista aos bairros mais tradicionais de Lisboa.
As frases espalhadas pelas lojas com ditados populares, os sacos de papel pardo e a música que se ouve na loja – sempre em português – são alguns dos elementos que reforçam a ideia de portugalidade.
Assim já sabe… se vir no passeio uma bicicleta pasteleira, cheia de espigas de trigo, pode entrar para comer o fantástico Pão de Deus e dezenas de outros produtos “bem tugas”.

 

A CORRIDA SOLIDÁRIA

O dia acordou cinzento e molhado e eu e a Mónica fomos para a Duque D’Ávila ainda não eram 8 horas (é preciso ter pancada para levantar “de noite” num domingo chuvoso para ir correr) Winking smile

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Começamos por distribuir os dorsais (pulseiras coloridas, laranja para a caminhada e negras para a corrida) e acertar com os agentes da PSP como iríamos gerir a multidão nas 2 actividades. O responsável da equipe da PSP presente (segundo da direita) foi fantástico, e logo combinou que iriam ter um papel bem mais activo do que aquilo que se tinha acordado previamente.

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Os elementos dos Run 4 Fun que iam acompanhar a corrida já estavam preparados e após as boas vindas do Nuno Carvalho e dum pequeno briefing para recordar os aspectos relacionados com a segurança durante a manhã demos início ao nosso “passeio” por Lisboa. Primeiro a caminhada e 5 minutos depois quem ia percorrer os 16km em passo de corrida.

 

ETAPA 1 – Pedro Julião, Pedro Hispano ou Papa João XXI

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Pedro Julião, ou Pedro Hispano, nasce em Lisboa entre 1205 e 1210, tendo sido um famoso médico, filósofo, professor e matemático do séc. XIII.
Estudou medicina e teologia em Lisboa e Paris, deu aulas na Universidade de Siena e ingressa no sacerdócio entre 1252 e 1261. Arcebispo de Braga em 1273, é nomeado Cardeal no ano seguinte por Gregório X, o que permitiria ao Papa ter os serviços de tão prestigiado médico por perto.
Num período de grandes tensões politicas e religiosas é coroado Papa em Setembro de 1276 e adopta o nome de João XXI (foi um lapso, já que não existiu nenhum João XX).
A sua eleição foi uma surpresa, fruto da guerra de influências entre os Orsini (apoiados pelos franceses) e os Collona (pelos ítalo-germânico). Sendo português, Pedro não pertencia a qualquer partido.
O seu Papado durou apenas 8 meses, devido à sua suspeita morte num desmoronamento das paredes do seu aposento em Viterbo.
Pontífice muito humilde, recebia pessoas de todas as classes em audiência (o que não era muito bem visto na altura). Prestigiado o suficiente para aparecer na Divina Comédia de Dante, a sua alma é colocada no Paraíso, apelidando-o de “aquele que brilha em doze livros” (menção óbvia ao trabalho do erudito pontífice português).

 

O início do treino fez-nos passar pelo bonito Jardim do Arco do Cego.

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Atravessamos o Bairro do Arco do Cego (abaixo quando estamos a passar em frente á Escola Filipa de Vilhena) e estamos na Praça de Londres.

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A policia ia parando o trânsito nos pontos por onde passávamos e na foto também se pode ver a ambulância que esteve presente durante todo o tempo.

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A primeira paragem é na loja inaugural da Padaria Portuguesa, mas quase que não se notou pois o grupo da frente seguia “agitado” e arrancaram ainda antes de reagruparmos todos Smile

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ETAPA 2 – João de Brito

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Nasceu em Lisboa em 1647. Após uma doença grave aos 11 anos decidiu entrar para a Companhia de Jesus. Aos 21 anos começa a pensar em ir para uma das missões na Ásia, desejo que concretiza aos 26 anos ao embarcar para Goa.
Até 1679, João de Brito efectuou a sua acção missionária entre Colei e Tatuancheri. Esta acção abrangeu doentes, feridos de guerra e desprotegidos. O trabalho missionário não era fácil devido às condições climáticas, inundações e chuvas torrenciais e, sobretudo, a perseguição contra os cristãos. Algumas das ajudas que prestou foram consideradas como milagres ajudando à adesão da população.
Um principe da casa real de Maravá adoeceu gravemente e só após invocar o Deus dos cristãos é que se curou, decidindo converter-se após isso. João de Brito só aceitou baptizá-lo caso abandona-se a bigamia. Uma das mulheres assim preterida foi queixar-se ao Rei, que ficou furioso e ordenou a tortura, decapitação e desmembramento do sacerdote em 1693.
A morte e o relato de milagres de João de Brito, deram início a um processo de beatificação. No entanto, com as perseguições aos jesuítas, só em 1852 se concluíu o mesmo. Já no sec. XX, após a publicação duma sua biografia, é atribuido o estatuto de santo ao Padre João de Brito (1947).
Como não lembrar o exemplo de S. João de Brito, jovem lisboeta que, deixando a vida fácil da corte, partiu para a Índia, a anunciar o Evangelho da salvação aos mais pobres e desprotegidos, identificando-se com eles e selando a sua fidelidade a Cristo e aos irmãos com o testemunho do martírio?” – Papa João Paulo II

 

Nesta troço percorremos um recta grande – a Avenida de Roma, e ao fundo encontramos a segunda Padaria do percurso, aberta recentemente na Av. da Igreja (igreja S. João de Brito).

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ETAPA 3 – José Elias Garcia

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Nascido em Cacilhas em 1830, foi professor, jornalista, político e coronel de engenharia do Exército.
Fez parte duma geração republicana denominada doutrinária, de pendor pacifista. Queriam estabelecer uma nova tábua de valores sociais a ser ensinada às camadas mais desprotegidas da população através de uma pedagogia clara e simples, acreditando que a Republica chegaria quando estivesse concluída a educação popular.
A sua bonomia, capacidade de diálogo e a sua resposta positiva a quem pedia os seus préstimos, sem distinguir os campos políticos de origem, identificavam-no como um homem confiável. Foi assim acumulando diversos cargos oficiais e corporativos.
Presidente da Câmara de Lisboa em 1878, a sua participação na Maçonaria fê-lo chegar a Grão-Mestre do G.O.L. de 1887 a 1889.
Fundou em 1854 o primeiro jormal abertamente republicano. Os fundamentos da futura Lisboa jacobina iam ser construídos, pedra a pedra, por este republicano – com quem o Paço simpatizava – e por este jornal – que até os monárquicos liam.

 

Após a Av. da Igreja, estamos na praça de Entrecampos e era notório o dispositivo policial que nos acompanhava e ajudava a circular pelas ruas de Lisboa em segurança.

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Muito divertido neste troço o momento em que nos cruzamos com o grupo da Caminhada que vinha em sentido contrário. Os gritos, aplausos, cumprimentos e incentivos foram muitos e bem audíveis.

Na foto é visivel a Teresa Correia, que fez um video fantástico do nosso treino!!! Os parabéns e agradecimentos para ela. Smile

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Logo a seguir tinhamos nova Padaria, desta vez a meio da 5 de Outubro, na Av. Elias Garcia.

 

ETAPA 4 – Parque Eduardo VII

Após a Elias Garcia, tinhamos definido que reagruparíamos no Parque Eduardo VII para fazer a parte de Campolide e Amoreiras em conjunto.

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E sempre um ponto bonito para tirar algumas fotos, pois trata-se dum dos miradouros mais impressionantes da cidade.

 

ETAPA 5 – Maria da Fonte e a Guerra da Patuleia

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Após o fim da Guerra Civil, ou guerras liberais (1834) a tensão social no país não desapareceu e as reformas iniciadas em 1842 por Costa Cabral só piorou as coisas, com a introdução da contribuição predial e um maior rigor no recrutamento militar. Os ressentimentos alastravam e a gota de água surgiu com a proibição de realizar enterros dentro de igrejas – um hábito de 800 anos…
Em Março de 1846, morre Custódia Teresa, habitante do lugar de Simães na freguesia de Fontarcada, dos arredores da Póvoa de Lanhoso e um grupo de vizinhos, maioritariamente mulheres, decide proceder ao enterro da defunta na Igreja do Mosteiro de Fonte Arcada. As autoridades, devido a isto já ter ocorrido antes, decide mandar exumar o corpo. Como foram recebidos à pedrada pela população prenderam as 4 mulheres que encabeçavam o grupo.  Quando estas iam ser ouvidas pelo juiz, os sinos tocaram a rebate, reunindo o povo, que marchou até à vila e arrombou as portas da cadeia com machados. À frente deste grupo, confiadas de que não se atreveriam a atirar sobre as mulheres, estavam algumas jovens, entre elas, vestida de vermelho, Maria Angelina, a irmã do sapateiro de Simães.
Como a população se recusou mais tarde a identificar os amotinados, ficou registada simplesmente por Maria da Fonte Arcada, depois abreviado para Maria da Fonte.
Nos dias seguintes sucederam-se casos idênticos, estendendo a revolta a todo o Minho. Em poucas semanas as arruaças propagaram-se pelas Beiras e Estremadura e o país estava perante um movimento insurreccional sem precedentes.
Assim a Revolução da Maria da Fonte não foi uma verdadeira revolução mas sim uma sublevação popular, o primeiro genuíno movimento de massas dos tempos modernos em Portugal.
A Rainha D. Maria II, para controlar a situação demite o Governo em Maio e nomeia o Duque de Palmela para formar novo Governo. Quando se antevia a acalmia da situação, a 6 de Outubro, a rainha chamou o duque de Palmela ao Paço, tendo-o sumariamente demitido, num golpe palaciano, que ficou conhecido pelo nome de Emboscada.
A revolta ressurgiu e com o envolvimento dos militares e a participação de todo o espectro político, aquilo que tinha começado como um movimento de contestação popular desembocava numa guerra civil generalizada – a Guerra da Patuleia.
A origem do termo patuleia parece ser a expressão patola, utilizada coloquialmente para designar alguém que não prima pela inteligência. Desse bem pouco lisonjeiro princípio, patuleia passou a ser utilizado para designar o povo e as agremiações populares.
A Guerra da Patuleia durou 8 meses e D. Maria II venceu, mas apenas após a intervenção de forças militares estrangeiras ao abrigo da Quadrupla Aliança (Reino Unido, Espanha, França e Portugal)

 

Gosto muito desta foto (do Pedro Carvalho), pois mostra bem a dimensão do grupo que se aventurou nesta corrida molhada e solidária.

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Chegando ao Jardim da Parada tinhamos o primeiro abastecimento, com os colaboradores da Padaria Portuguesa a disponibilizarem água a todos os atletas.

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Aqui uma bonita panorâmica do grupo. Com a chuva e a brevidade da paragem, poucos terão notado a estátua da Maria da Fonte que se encontra no lado esquerdo do jardim.

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ETAPA 6 – Igreja “dos Italianos”

Igreja dos Italianos de Nossa Senhora do Loreto

A igreja tem origens remotas em inícios do século XIII. A devoção a Nossa Senhora do Loreto foi trazida para Portugal pelos mercadores Venezianos e Genoveses que se instalaram na região, daí o nome.
Inicialmente perto das muralhas que defendiam Lisboa no século XIV, a igreja foi reconstruída após o terramoto de 1755, segundo um projecto do mesmo arquitecto do fantástico Teatro de São Carlos – José da Costa e Silva

 

Ao sair de Campo de Ourique ia em boa companhia… topei uma tipa gira no meio do pelotão e ali fiquei a meter conversa Winking smile

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Foi pena ninguém ter registado a passagem por dentro do Jardim da Estrela. Como demos a volta dentro do jardim houve uma altura em que o grupo da frente passava muito próximo de quem vinha mais atrás e as brincadeiras e cumprimentos imperaram.

Depois da descida da Calçada da Estrela tinhamos a primeira subida séria do dia – Calçada do Combro.

No Camões uma foto de grupo em frente a nova Padaria, aos pés do poeta…

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ETAPA 7 – Rua dos Ourives do Ouro

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A rua com este nome já existia desde o séc. XIV. Hoje (oficialmente Rua Áurea), o que se vê é fruto da Lisboa pós-terramato. Em decreto de 1760, determinava-se que a rua albergasse os ourives da cidade e que as lojas que sobrassem fossem entregues a relojoeiros e volanteiros.
Sendo a rua do “Ouro”, ali se encontra o edifício do Banco de Portugal (nascido em 1846 da fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança Nacional), um edificio que foi em 1907 do Banco Lisboa & Açores (este banco ligou-se depois à Casa José Henrique Totta), e ainda o edifício da fundação do “Monte Pio dos Empregados Públicos” (1840). Tudo instituições fundamentais na história financeira do país.

 

Este era o troço mais curto de todos, com 800 metros a separar o Camões da seguinte Padaria na Rua Áurea (ou do Ouro).

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ETAPA 8 – Bairro da Graça

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Na mais alta colina da cidade está situado a Graça, um dos mais antigos e belos bairros da capital, edificado onde se encontrava um imenso olival, quando aqui chegou D. Afonso Henriques.
O bairro cresce muito após o terramoto de 1755, tendo os seus novos habitantes construído casas simples, mas também imponentes Palácios.
Após a Guerra Civil (1828-1834), com a extinção das ordens religiosas dá-se uma grande mudança. O Convento passa a Quartel, a Igreja do Largo de Santa Marinha é demolida, e grande parte dos terrenos conventuais foram expropriados e vendidos a particulares.
A industrialização do Beato e Xabregas, trouxe novos personagens. Passa-se para o período dos pátios e, sobretudo, das vilas operárias construídas com sentido estético e critérios urbanísticos. A Graça passa, nessa época, a ser uma região de vilas operárias, como a Vila Estrela de Ouro, construída em 1908, ou a Vila Berta, construída entre 1902 e 1908.
Com uma curiosa mistura de cosmopolitismo e ruralidade, a zona é conhecida e procurada pelos seus Miradouros, onde se pode desfrutar de uma das mais belas vistas da cidade.

 

Vamos até à Rua de Santo Justa e aqui começam os dois primeiros troços que no total nos fizeram subir mais de 400 degraus até ao Miradouro da Graça.

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No bairro da Mouraria apanhámos alguns “single-tracks” Smile

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E depois um ponto carismático, e pouco conhecido, da nossa cidade – o Caracol da Graça…

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Já dentro do bairro (no Largo da Graça) encontramos nova Padaria e tivémos o segundo abastecimento.

 

ETAPA 9 – Constantino José Marques de Sampaio e Melo

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Foi um florista português, considerado um dos mais notáveis produtores de flores artificiais no sec. XIX. O Rei dos Floristas, como foi chamado em Portugal, era famoso em Paris e Londres, fornecendo casas reais e a mais nobre aristocracia da Europa.
O Jardim Constantino leva o seu nome e apresenta uma árvore única em Lisboa, a Melaleuca styphelioides Smith, vulgo árvore-papel.

 

A descida para a Almirante Reis é feita pela Angelina Vidal e Forno do Tijolo (ali vai a Sandra em grande estilo Smile )…

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Ao subir a Almirante Reis, viramos “na Portugália” e estamos na Pascoal de Melo, local da penúltima Padaria Portuguesa do nosso roteiro.

A míuda gira que “conheci” em Campo de Ourique continuava por ali e ia-me dando bola… estava com sorte (hehehehehe)

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ETAPA 10 – José d’Ávila

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Foi um homem do séc.XIX (1806-1881). A sua história é, antes de mais, a do plebeu que chegou a duque.
Nasceu nos Açores, filho dum sapateiro e duma lavadeira (dos 10 filhos, apenas 4 chegaram à idade adulta). Aos 15 anos, seu pai tinha as posses suficientes para o mandar para Coimbra, onde se formou em filosofia (melhor aluno do curso).
No inicio da Guerra Civil de 1828-1834 conheceu, e impressionou, o rei D.Pedro quando este esteve nos Açores antes de desembarcar no Porto para combater D.Miguel e após aquele assumir o poder foi eleito deputado nas Cortes (tinha 28 anos).
Teve actividade parlamentar por 47 anos, como deputado ou ministro. Em 1841 foi nomeado pela primeira vez ministro – da Fazenda, num governo liderado por Joaquim Antonio de Aguiar, tendo durante a sua vida ocupado 19 pastas em 10 governos (7 na Fazenda e 6 nos Negócios Estrangeiros, entre outros). Assume a presidência do Conselho de Ministros por três vezes e, em 1872 é nomeado Presidente da Câmara dos Pares, cargo que representa o auge da sua carreira parlamentar.
Aos 55 anos tornou-se Par do Reino e, 3 anos depois foi nomeado Conde, em 1870 Marquês e em 1878 Duque d’Ávila. Se no séc. XIX se atribuíram cerca de 800 títulos nobiliárquicos, a verdade é que apenas 5 pessoas “chegaram” a Duque (Terceira, Palmela, Saldanha, Loulé e o próprio) sende ele o único que não era aristocrata ou militar.
A via de ascensão social avilista foi uma longa e tenaz carreira de serviço público, na administração e na política, desde a presidência da Câmara Municipal da Horta, em 1831, até à presidência vitalícia da Câmara dos Pares, cadeira que ocupava à data da sua morte. Pelo meio foi governador civil, deputado, ministro, conselheiro de Estado, Par do Reino, presidente do Conselho, diplomata, comissário régio, delegado em diversos congressos e exposições internacionais e representante governamental em outras tantas comissões de serviço (presidente da Companhia das Lezírias, fundador e primeiro governador da Companhia do Crédito Predial Português, governador do Banco Hipotecário, presidente do Supremo Tribunal Administrativo, vice-presidente da Academia Real das Ciências, membro decano do Conservatório Dramático e vice-presidente honorário da Companhia do Canal do Suez – distinção concedida pelo governo francês, quando Ávila foi embaixador em Paris).
O segredo de Ávila parece ter sido o de todos os que subiam na vida a pulso: estudo, trabalho e dedicação. Com Silva Carvalho (Bispo de Viseu) e Fontes Pereira de Melo, completa a troika dos maiores especialistas em finanças públicas (ou economia política) do século XIX português. Era também o maior especialista da época em assuntos de estatística e de cadastro.
Ávila tornou-se o elemento de mediação do modelo rotativista: entre regeneradores e progressistas, lá estava o plástico duque, amortecendo transições, administrando expectativas cruzadas. Com o seu sentido inato da política, era especialista em aparecer nos momentos de crise, clarificando os campos, marcando a agenda e o rumo dos acontecimentos. Os seus governos nunca eram “avilistas”: ele surgia como cabeça-de-cartaz de coligações de regeneradores, históricos ou reformistas. Se é verdade que para alcançar o poder «jamais incensou as massas para delas obter apoio», o facto é que Ávila foi cúmplice ou militante de quantos campos políticos o constitucionalismo português cunhou, à excepção da esquerda mais radical. O próprio confirmou que se tratava de um homem para todas as causas, desde que elas servissem a pátria, o rei, a liberdade e o progresso.
Não era um puro aventureiro político, ou um carreirista. Antes um estadista ágil, conciliador em momentos delicados, conservador em épocas de crise, agitador sempre que as circunstâncias o recomendavam. Repudiava o voluntarismo revolucionário como método de alcançar o progresso. No cume da idade e da experiência, tratou sempre a geração de 70 displicentemente, como uma juventude ocamente contestatária e perigosamente desordeira, na qual detestava a conversa do intelectual descontente, fascinado pela civilização alheia e incapaz de reconhecer que Portugal, não sendo o melhor dos mundos, era, comparado com um passado recente, um mundo aceitável.
Boa parte da história da vida de Ávila foi a da luta contra o seu passado, que ele não renegava, mas que quase todos os adversários usaram para o humilhar. Durante décadas, Ávila foi o parvenu, o «ilhéu», o «rústico», sempre olhado preconceituosamente. Ficou famosa, em 1871, uma azeda carta em que Antero de Quental lhe lançava em cara o facto de ser filho de um sapateiro e de ter alegadamente trocado o apelido original — «da Vila» — pelo mais sonante «Ávila» (nao era verdade). Os mentideros de Lisboa filaram os tiques e as muitas vaidades de Ávila com particular avidez. Um dos seus traços mais caricaturizáveis pelos adversários era a voragem com que coleccionava distinções e condecorações. Nao era o único…
Ávila não herdou, nem nunca teve grande fortuna, mas como com qualquer político, sempre existiram boatos de que enriquecera por meios obscuros. Para uns, tinha um capital de confiança política alargado por nunca ter aproveitado esquemas de enriquecimento ilicito. Para os seus muitos detractores não passava de um especulador ganancioso. O facto é que o dinheiro foi um tema que o perseguiu. A sua «severa economia» era sinónimo de sovinice e as anedotas sobre isso não tinham fim. No seu testamento apenas referia alguns bens imóveis na ilha do Faial, deixados ao irmão, Manuel José de Ávila. O resto — a casa em Lisboa e o seu recheio, mais um punhado de títulos financeiros ficaram para a mulher.
Um biógrafo de Eça de Queirós declarou que a figura do conde de Abranhos, do romance escrito em 1879, era directamente inspirada no perfil político, no élan social e nos tiques comportamentais do conde, marquês e duque de Ávila. Segundo a sua análise, «só não reconheceria o marquês de Ávila e Bolama, sob a capa de Abranhos, quem não quisesse […] Tudo neles é similitude: a humildade de origem, o amor das condecorações, a ausência de convicções, a vigilante preocupação da respeitabilidade pública […] a vocação para presidir a assembleias gerais; a disponibilidade ao serviço dos partidos que triunfam sob a invocação de que não era possível deixar de fazer à pátria o novo sacrifício que dele exigissem o rei, a ordem e a liberdade».
Se é verdade que Eça ajustou contas com Ávila através do conde de Abranhos, essa é a derradeira prova que evidencia a singularidade da sua figura no panorama político e social do constitucionalismo monárquico oitocentista. Os políticos, em geral — oradores, deputados, ministros, altos funcionários —, eram todos «Conselheiros Acácio» (uma das personagens mais caricatas do universo queirosiano): só Ávila teria merecido uma (re)criação literária própria

 

A Rua D.Estefânia era a última subida do dia…

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Já todos “ansiavam” pelo pão de deus e a boa disposição era notória Smile

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Eis o pelotão de volta à Padaria Portuguesa da Av. Duque D’Ávila, de lanchinho na mão. E se deu para ver caras satisfeitas!!! Talvez não saciadas… terá havido depois rotura de stock dos pãezinhos? Smile

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Até os bombeiros e a PSP se juntaram ao nosso grupo no lanche final…

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Aqui com o amigo Mário Lima, que gostei bastante de ver de volta ao pelotão

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Casa Mão Amiga

Esta iniciativa teve uma adesão maciça com cerca de 700 pessoas a contribuíram com donativos para a associação, que a Padaria Portuguesa duplicou(!), atingindo-se assim os 6.454€, além da carrinha gentilmente cedida pela Fiat que acabou cheia de géneros diversos.

Foi para isto que partilhámos esta experiência na manhã de domingo, proporcionar às crianças da Casa Mão Amiga mais algumas semanas de bem-estar (bem merecem).

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CONCLUSÕES:

Fui muito enriquecedor para mim ver a capacidade de mobilização e solidariedade que se juntou neste domingo.
Fiquei orgulhoso do permanente sorriso nos lábios dos participantes mesmo estando encharcados até aos ossos (não vou usar o termo da Marta Winking smile ).
E é muito recompensador chegar ao fim do dia e ver tantos a gostar de correr – sem prémios, sem competição, sem rivalidades – apenas correr.

Por fim, agradecer a quem permitiu a montagem deste evento:
– a “minha” Mónica pela origem da ideia;
– O Nuno Carvalho e o Zé Diogo Quintela por serem entusiastas apoiantes desde o primeiro contacto e terem assumido o controlo da iniciativa, que sem eles não teria atingido esta dimensão;
– Eduardo Correia, Gonçalo Fontes de Melo, Guilherme d’Oliveira Martins, João Veiga, Jorge Prazeres, Luís Boleto, Miguel Serradas Duarte, Fernandinha Costa, Manuela Cruz, Helena Telino, Telma Oliveira, Paulo Fernandes e Raul Matos pelo trabalho realizado nos reconhecimentos e pelo acompanhamento do grupo durante os percursos.

Deixo aqui um video que retrata bem a nossa manhã…

 

PS: Os meus agradecimentos ao Paulo Fernandes, António Cruz, Luís Boleto, João Pedro Palmela e Pedro Carvalho como fornecedores de todas as fotos aqui apresentadas

 

No próximo dia 12 de Maio, teremos a estreia dum novo Treino Temático: Lisboa Devota Smile

11 thoughts on “Corrida Solidária Padaria Portuguesa

  1. Belo relato com excelentes fotos várias curiosidades. Aqui fica outra: eu nasci na terra da Maria da Fonte, Póvoa de Lanhoso.

    Parabéns, José Bagina,a ti e a toda a equipa pela realização desta fantásttica ação solidária.

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  2. Já o disse noutros ambientes mas nunca é demais repetir, OBRIGADO!!!
    … a ti, à Mónica e aos restantes auxiliares organizativos. Estou certo que demos uns sorrisos a umas quantas crianças.
    E eu, alfacinha de gema, à conta destas tuas brincadeiras (levadas a sério), vou conhecendo ainda mais Lisboa, aquela Lisboa que não está à vista de todos.

    Forte abraço!!!

  3. Uma ideia simples que se tornou algo tão grande…é de valor aproveitar algo que nos dá gozo para fazer tão bem a quem precisa…tás de parabens Zé e para coisas destas em que me divirto podes sempre contar

  4. Pingback: Caminhada Solidária Padaria Portuguesa | Uma Perna Atrás da Outra

  5. Foi uma experiência inesquecível, para mais sendo uma alfacinha adorei caminhar pelas ruas da minha “cidade”😀
    Fico muito feliz por ter contribuido para o bem-estar e felicidade de todas as crianças da Casa Mão Amiga.
    Obrigada a todos pela bela iniciativa.

  6. Zé Bagina, um extraordinário misto de Cultura, Diversão, Solidariedade, terminando com um exaltar das nossas papilas gustativas, a premiar uma hora e meia de caminhada à chuva!
    Manhã inesquecível, por tudo o que envolveu, incluindo um convívio francamente agradável entre amigos (alguns há muito que não via!)
    Que orgulho ter-te como amigo! Que orgulho pertencer a este fantástico grupo!
    Obrigada pela ideia e pela sua concretização, Obrigada à Mónica por todo o apoio que deu, Obrigada a todos os que colaboraram na organização e possibilitaram o evento. Obrigada a quem permitiu, com fotos e vídeos, as brilhantes reportagens que recordam esta manhã!
    Manuela Cruz

  7. Que maravilha de texto José. Juntas o lúdico ao cultural e temos aqui um texto de qualidade superior. O que aprendi aqui. Não te bastou fazer o roteiro da corrida como foste pesquisar na história, a referência de locais e pessoas que fazem parte do imaginário lisboeta.

    … E eu que tantas vezes parei ali no jardim Constantino (a minha mulher trabalhava ali) sabia lá a história do mesmo!

    Gostei José, para além de um grande organizador és um historiador. Enriqueceste e muito com essa faceta de ir buscar ao baú essas vivências, este teu texto. Não foi só bom ter participado no evento, foi também bom saber que este evnto deu esta magnífica prosa.

    Valeu a pena ter-te lido.

    Parabéns.

  8. Olá, lembra-se de mim?🙂 é que adorei o treino e mais gostei do seu relato e pesquisa histórica… uma senhora não se deve insinuar mas creio que gostava de o conhecer melhor…🙂
    Fantástico… LY…

  9. Pingback: 1 ano de “blogosfera”… | Uma Perna Atrás da Outra

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