Maratona de Lisboa 2012

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(em desenvolvimento) Ainda ando pelas ruas de Lisboa a procurar a minha moral para este bicho da Maratona… Smile

A primeira decisão…

Inicialmente, 9 de Dezembro era dia de participar numa meia-maratona. Só que depois da experiência na maratona do Porto fiquei indeciso e muito tentado a repetir os 42,195m para rectificar o resultado “nortenho”. Hesitei um pouco e decidi considerar a maratona do Porto como um longão na preparação para Lisboa, sendo que 3 semanas antes faria 35km para ver como estava.

Em 18 Novembro fui treinar com os Railrunners no percurso da maratona, mas não estava num dia bom (dum objectivo de 26+9km fiquei pelos 21km). Repeti 2 dias depois sozinho, mas ainda não foi como queria (27,5km). Finalmente a 27 Novembro fiz sozinho, na Expo, 32km em 2h57m e fiquei “satisfeito” e decidido. Troquei a inscrição na meia pela maratona no mesmo dia.

A Prova…

Na manhã da prova estávamos animados e ansiosos, eu pela repetição, a Mónica pela sua estreia na maratona…

Para não repetir a ida ao WC durante a prova, fui a um café perto da partida e já não deu para “entrar” na foto de grupo dos R4F Sad smile

Aqui foi a Manuela Cruz que me apanhou todo contente quando me dirigia para o ponto de arranque.

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Às 9h00 tiro de partida, ou buzina… Smile, e aí vamos nós. Ainda antes do 1º km encontrei 3 parceiros que me acompanharam durante os primeiros 15km da prova – Miguel San-Payo, Nuno Dias de Almeida e Tiago Ribeiro. A Joana Peralta e o Nuno Tempera “andavam por perto” mas um pouco atrás e depois um pouco à frente.

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O ritmo seguiu bom, aos 5km iamos a 5:29, aos 10km a 5:33 e aos 15km a 5:36. Neste momento seguia com mais 3m21s do que no Porto, e se durante a corrida não tinha esta precisão Smile, sentia que era mais ou menos isso que estava a acontecer, o que era bom, pois os 15km iniciais do percurso são muito mais “inclinados” na capital – 13m a subir (declive positivo) vs 53m a descer no Porto.

Aos 15km já tinhamos passado pela rotunda do Relógio (aeroporto), Areeiro, Av.Roma, Campo Grande, Estádio Alvalade, Telheiras, Colombo, Sete Rios e estavamos na base da subida da Av. José Malhoa. O Tiago estava a ressentir-se duma lesão nas costas e seguiu a um ritmo mais lento na companhia do Nuno.

Depois dos 17km, temos 3km a descer (Av.Liberdade e Baixa) até chegarmos ao Terreiro do Paço onde estava um grupo de bombos a animar quem corria.

Pouco depois do Cais Sodré, completa-se a primeira Meia, desta vez feita em 1:59:46 – mais 4m12s do que no Porto e mais 13s do que o objectivo das 4 horas (um split neutro “servia”, mas a Almirante Reis…) Annoyed

Eu seguia bem disposto, com o cansaço normal para esta fase (acho eu), mas já estava a “fazer contas de cabeça” com o desenrolar da prova.

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Até aos 21km tinha feito os abastecimento planeados – água da organização a cada 5km e marmelada (7km) e gel isostar (15km) que tinha levado. O Miguel San-Payo seguia em “ritmo de passeio” (para ele), o que estava a ser muito bom para mim, pois tinha ali um apoio e um ponto de referência sólido.

Lembro-me bem dum grupo de belgas que foram aparecendo em vários pontos do percurso (3? 4?) muito animados, com cartazes, a cantar, aplaudir e incentivar o Gert (nunca o vi, mas os cartazes com texto e foto não deixavam dúvidas).

Recordo também um grupo grande de alemães no Areeiro e outro na rotunda do Marquês e muitos estrangeiros a correr – notei franceses, italianos, holandeses e noruegueses com quem me fui cruzando.

No abastecimento dos 25km, a primeira caminhada, para beber o copo “isotónico” fornecido. Aos 28km voltamos para trás em Algés na zona da Docapesca e andei novamente (80 a 100 metros).

Se no Porto o balão das 4h00 (virtual) me ultrapassou aos 32km, em Lisboa isso ocorreu aos 25km.

Aos 30km estava com 2h53m43 (média de 5:47). Sabia que estava cerca de 6min acima do que tinha feito no Porto e quase 4min acima das “4 horas”. E tinha perdido a companhia do Miguel…

A segunda decisão…

A plana reta ribeirinha não estava a servir para recuperar relativamente à prova no Porto (dos 25km aos 30km, fiz exactamente o mesmo tempo em ambas as provas – 30m14s).

Aos 30km, andei no abastecimento e aquela sensação de muro estava a começar a chegar… Em frente à Doca de Santo Amaro, com 32.300m nas pernas, tomei nova decisão.

Provar a mim próprio que podia chegar ao fim duma maratona, independentemente do esforço, já o tinha feito no Porto. Agora precisava de algo mais para me sentir satisfeito e feliz com a prova.

No Porto fiz os ultimos 4km a andar e isso tirou uma boa parte da emoção “boa” de me tornar maratonista. E ali estava eu a 10km do fim, com 7min acima do desempenho no Porto e sabendo que a Almirante Reis não permitia veleidades de recuperar o que quer que fosse no ritmo de prova.

Poderia ter chegado ao fim? Provavelmente. Estava no meu limite? Claramente não. Ia ficar contente por cortar a meta? Nem por isso! Então não vale a pena. O Run sem Fun, sem a sensação boa de “cumprir” o objectivo traçado não vale a pena… e “terminei a minha participação”.

O final da prova…

Mas o dia não estava terminado Smile

Esperei pela passagem da Mónica (não foi preciso muito…), disse-lhe que esperava por ela na chegada e procurei uma “vasoura” para chegar mais depressa.

No estádio do Inatel, já estavam o meu irmão, cunhada e sobrinhas à nossa espera. Estive com eles um bocado e depois comecei a percorrer o percurso da maratona no sentido inverso. Encontrei a Mónica quando ela virou para a Av. E.U.A. e fiz o último km da maratona com ela.

As emoções seguiam à flor da pele, ela não conseguia parar de chorar e a escolta dela não parava de gritar a incentivá-la. Quem estava na estrada entrava na festa e só se ouvia: “Vamos Mónica”, “Parabéns, Mónica”, “Grande mulher”!!!”, “Esta já ninguém te tira”.

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No estádio a festa laranja foi fantástica. Assim que se entrava na pista de tartan notava-se logo a mancha colorida na bancada após a meta, recordo poucos atletas nossos que tenham entrado no estádio sem escolta e a animação era permanente.

Somos, neste momento, o maior clube/grupo de atletas no pelotão nacional, já temos mais de 50 maratonistas (60? 70?) e somos claramente o mais entusiasmado, divertido e exuberante também. Sente-se claramente a admiração (e, infelizmente, outras coisas também) de quem nos vê nas provas e são cada vez mais as pessoas que se aproximam dos R4F com muita vontade de aderirem, juntar-se a nós e partilhar esses momentos.

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Conclusão…

Foi fácil não terminar a prova? Desistir? NÃO! Nada fácil…

Foi muito duro não chegar ao fim, não passar aquela linha de chegada, não receber a medalha e a t-shirt… Sad smile

O que ajudou foi participar na “festa” da fantástica estreia na maratona feita pela Mónica (e também nas estreias da Joana Peralta, do Raul e Rogério Matos, do Alfredo Falcão e na excelente prova do João Veiga a vingar totalmente a arreliadora lesão no Porto).

E também uma coisa, que quem está fora dos R4F pode não se aperceber mas que é fabuloso… existe sempre uma palavra positiva, empatia, um incentivo, um empurrão para o próximo passo. Quer as coisas corram pelo melhor, quer não tenho ido como desejávamos Smile

Outras oportunidades virão, outras provas, outras maratonas, outros objectivos. E vão encontrar-me mais determinado que nunca! Smile

One thought on “Maratona de Lisboa 2012

  1. Belo relato José Bagina.

    Somos de facto um grupo divertido e tu tens uma boa quota-parte da animação neste últimos tempos, com as tuas excelentes organizações. No nosso fficheiro temos 68 maratonistas, 61 homens e 7 mulheres e 120 meia-maratonistas (tem também os maratonistas) dos quais 96 homens e 24 mulheres. Num total de 235 atletas.

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