Treino "Visita aos Presidentes"

20120922-120349.jpg

O mote foi: “Sabias que andam 10 Presidentes pelas ruas de Lisboa?”

Descobriu-se quais eram essas ruas, desenhou-se rotas, explorou-se o caminho, afinou-se o percurso, “arregimentou-se” mais uns quantos para a organização, planeou-se a logistica, fez-se o reconhecimento final, pesquisou-se as notas biográficas e agora estávamos prontos para mais um fantástico treino, com um grupo animado e divertido.

Percurso Presidentes

********************************************************************************************

23 Setembro, 8h00…
Já estávamos prontos para mais um desafio🙂 Algumas apresentações, troca de memórias e piadas e depois a apresentação dos elementos que iam fazer de guias neste treino (Jorge Paulo, eu, Jorge Pinheiro e Pedro Moreira) e um pequeno briefing sobre o que nos esperava e recomendações.
20120923-225619.jpg

Últimos preparativos, foto de grupo com os que começavam o percurso aqui e alguns outros que aqui vieram deixar o carro indo depois para os pontos intermédios…
20120923-231112.jpg

… e às 8h10 em ponto estamos de partida.

2012-09-24 07.59.35

********************************************************************************************

Etapa 1: Doutor Teófilo Braga (2,27km)

20120922-120112.jpgTeófilo Braga (n. 1843 – f. 1924)
Açoriano, substituiu Manuel de Arriaga após a sua demissão e foi Presidente durante pouco mais de 2 meses (Maio a Agosto de 1915).
Aluno brilhante do curso de Direito em Coimbra, dedicou-se à escrita, colaborou e dirigiu diversas revistas e produziu obras de história literária, etnografia (com especial destaque para as suas recolhas de contos e canções tradicionais), poesia, ficção e filosofia.
Tinha sido o primeiro Primeiro-Ministro da Republica entre Outubro de 1910 e Agosto de 1911.

 

2012-09-24 07.59.44027

Começamos por descer ao Marquês e depois vamos para o Largo do Rato

Esta etapa é feita com o grupo compacto e em ritmo de aquecimento. A primeira visita a fazer é perto do Jardim da Estrela.

Abaixo vamos tranquilamente logo a seguir à embaixada inglesa…

DSCF5398033

E cá estamos na foto da 1. “Visita” (tirada por mim) Smile

********************************************************************************************

Etapa 2: Presidente Arriaga (2,26km)

20120922-122502.jpgManuel de Arriaga (n. 1840 – f. 1917)
Açoriano, foi um dos 3 primeiros republicanos a ser eleito deputado em 1890, juntamente com Elias Garcia e Latino Coelho.
Primeiro Presidente eleito, em Agosto de 1911, foi destituído (demitiu-se) no seguimento duma revolta de republicanos apoiados pela Marinha, em Maio de 1915, que provocou cerca de 200 mortos.
O seu corpo foi transladado para o Panteão Nacional em 2004.

DSCF5405

Passagem pela Estrela, uma boa descida na Infante Santo e chegamos a uma calçada com um nome que acho curioso… Pampulha. No fim da Pampulha começa a nossa 2ª Visita e a foto foi tirada mesmo em frente ao Museu de Arte Antiga.

Sabiam que depois de 1910 no Natal as pessoas compravam Bolo Arriaga??? Até com o “Rei no bolo” queriam acabar hehehe

********************************************************************************************

Etapa 3: Martim Moniz (3,46km)

É chegada a hora de “esticar” um pouco as pernas, o troço vai ser um pouco maior e vamos ao encontro das pessoas que se juntariam ao treino no Martim Moniz…

Nos bares do Cais Sodré, às 8h45 da manhã, encontramos a “fauna” habitual. Muitos gritos, alguns aplausos, bocas e um caramelo a fazer a festa sozinho à nossa passagem (só tenho pena de não ter guardado para a posterioridade o momento em que ele achou interessante andar a correr de boxers e com as calças pelos joelhos… vá-se lá saber o que ia naquela cabeça!!!)

042

Aqui a subirmos a Rua Augusta, sempre agradável mesmo com menos pessoas devido à hora madrugadora…

20120923-232344.jpg

E aqui o momento em que a Mónica Miguéis, o Paulo Raposo e o António Pedro Mata se juntaram a nós (adoro as cores lá atrás…)

136

********************************************************************************************

Etapa 4: António José de Almeida (3,13km)

20120922-221126.jpgAntónio José de Almeida (n. 1866 – f. 1929)
Foi o único presidente da Primeira República Portuguesa a cumprir integralmente e sem interrupções o seu mandato de 4 anos (de 1919 a 1923).
Medico, exerce a sua profissão em Angola e São tome e Príncipe, além de estagiar em França antes de se estabelecer em Lisboa em 1905. Deputado do Partido Republicano a partir de 1906, foi nomeado Ministro do Interior do Governo Provisório após 1910 e exerceu, posteriormente, várias vezes as funções de ministro e deputado.
Nomeou 16 governos durante os 4 anos do seu mandato e era Presidente quando ocorreu um dos episódios nunca esclarecidos da nossa história – o levantamento radical que desembocou na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados o primeiro-ministro António Granjo, assim como Machado Santos (o chefe das forças militares no Marquês em 5 de Outubro1910, há quem diga que sem ele nao teríamos Republica) e Carlos da Maia.
Em 1929 foi eleito 12.º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido mas não chegou a tomar posse por entretanto ter falecido.
2012-09-23 15.48.25DSCF5406

Depois do Martim Moniz, subimos a Almirante Reis e vamos ao Jardim Constantino para abastecimento liquido aos 10km

Este Presidente até tem direito a estátua, e encontrámos uns simpaticos coreanos que nos tiraram a foto…

149

047

********************************************************************************************

Etapa 5: Marechal Francisco da Costa Gomes (1,4km)

20120923-213818.jpgCosta Gomes (n. 1914 – f. 2001)
Orfão de pai a partir dos 8 anos, estudou no Colegio Militar e alista-se no Exército em 1931. Realizou comissões de serviço nas colónias portuguesas, tendo chefiado a expedição militar a Macau, em 1949, exercendo funções como subchefe e chefe do Estado-Maior naquela região.
Monitorizou a formação das forças portuguesas a integrar na OTAN, em 1952, participando nas delegações de Portugal às reuniões daquela organização, entre 1956 e 1958. Nomeado Subsecretário de Estado do Exército, em 1958, envolve-se no Golpe Botelho Moniz, intentado pelo Ministro da Defesa, em 1961.
Já brigadeiro, é nomeado segundo comandate e depois comandante da Região Militar de Moçambique (1965 a 1969). Em 1970 torna-se comandante da Região Militar de Angola, onde procede à remodelação do comando-chefe e defende um entendimento militar com a UNITA, contra o MPLA e a FNLA.
Em 1972 é nomeado chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Em Março de 1974, pouco antes do 25 de Abril, é exonerado do cargo, depois de se recusar a comparecer numa cerimónia pública de lealdade ao governo de Marcello Caetano, promovida por altas patentes militares (um grupo que ficaria conhecido como a «brigada do reumático»).
Após o 25 de Abril, é um dos sete militares que compõem a Junta de Salvação Nacional. Por nomeação desta, torna-se Presidente da República, após a renúncia de António de Spínola, em Setembro de 1974.
Ocupou o cargo de Presidente da República até Junho de 1976, altura em que as primeiras eleições livres para a escolha do Chefe de Estado em Portugal ditaram a eleição de Ramalho Eanes.
O seu mandato ficará marcado como um período de radicalização do processo revolucionário, sob a influência do PCP e de partidos de extrema-esquerda. Apesar da ambiguidade que muitos vêem nas suas posições, reconhecem-lhe o mérito de ter evitado a guerra civil.

2012-09-23 15.49.25

Nesta etapa surge um dos desafios mais giros. Subir a rua da Fonte Luminosa… são “só” 200/250 metros mas muito interessantes pela inclinação.

No principio desta subida, cruzamo-nos com o pai do António Pedro Mata (foi pena ninguém se lembrar do registo para a posteridade…)

O Presidente encontra-se na rotunda das Olaias. A respectiva avenida é o tunel que passa por baixo dessa rotunda e desce para o rio.

2012-09-23 15.53.20

Alguém lembrou que Olaias é o nome simpático colocado pelo Fernando Martins quando construiu os primeiros prédios na zona. Era mais “in” do que pedir às pessoas para comprar casa na Picheleira😉

********************************************************************************************

Etapa 6: Marechal Antonio de Spínola (2km)

20120923-214823.jpgAntónio Spínola (n. 1910 – f. 1996)
Estudou no Colégio Militar (1920 a 1928). Germanófilo, partiu em 1941 para a frente russa como observador das movimentações da Wehrmacht, no início do cerco a Leninegrado.
Em 1961, em carta dirigida a Salazar, voluntaria-se para a Guerra Colonial em Angola. Notabilizou-se no comando do Batalhão de Cavalaria n.º 345, entre 1961 e 1963.
Foi nomeado governador militar da Guiné-Bissau em 1968, e de novo em 1972. O seu prestígio tem origem numa política de respeito pela individualidade das etnias guineenses e à associação das autoridades tradicionais à administração.
Em Novembro de 1973, regressado à metrópole, foi convidado por Marcello Caetano, para a pasta do Ultramar, cargo que recusou, por não aceitar a intransigência governamental face às colónias.
A 17 de Janeiro de 1974, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que foi afastado em Março. Pouco tempo depois, mas ainda antes da Revolução dos Cravos, publica “Portugal e o Futuro”, onde expressa a ideia de que a solução para o problema colonial português passava por outras vias que não a continuação da guerra.
A 25 de Abril de 1974, como representante do Movimento das Forças Armadas, recebeu do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a rendição do Governo (que se refugiara no Quartel do Carmo). Isto permitiu-lhe assumir assim os seus poderes públicos, apesar de essa não ter sido a intenção original do MFA.
Instituída a Junta de Salvação Nacional, à qual presidia, foi escolhido pelos seus camaradas para exercer o cargo de Presidente da República, cargo que ocupará de 15 de Maio de 1974 até à sua renúncia em 30 de Setembro do mesmo ano, altura em que foi substituído pelo general Costa Gomes.
Descontente com o rumo dos acontecimentos em Portugal após da Revolução dos Cravos (designadamente pela profunda viragem à esquerda, e a perspectiva de independência plena para as colónias), tenta intervir activamente na política para evitar a aplicação completa do programa do MFA; a sua demissão da Presidência da República após o golpe falhado de 28 de Setembro de 1974 (em que apelara a uma «maioria silenciosa» para se fazer ouvir contra a radicalização política que se vivia), ou o seu envolvimento na tentativa de golpe de estado de direita do 11 de Março de 1975 (e fuga para a Espanha e depois para o Brasil) são disso exemplos.
A sua importância no início da consolidação do novo regime democrático foi reconhecida oficialmente em 1987, pelo então Presidente Mário Soares, que o designou chanceler das antigas ordens militares portuguesas, tendo-o também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (a maior insígnia militar portuguesa).

Passeio pelo Vale de Chelas e passagem ao lado da Zona J – é só malta corajosa Smile

053051

A “Avenida Spínola” passa por baixo deste viaduto (vem da Av. EUA até á Expo)

056

********************************************************************************************

Etapa 7: Manuel Teixeira Gomes (1,17km)

20120923-215703.jpgManuel Teixeira Gomes (n. 1860 – f. 1941)
Algarvio, seminarista, adopta uma estilo de vida boémia muito ligada às artes (literatura, pintura, escultura), após desistir do curso de medicina.
Depois de se reconciliar com a família, viaja pela Europa, Norte de África e Próximo Oriente, em representação comercial para negociar os produtos agrícolas produzidos pelas propriedades do pai, o que alarga consideravelmente os seus horizontes culturais.
Republicano convicto,exornou-se embaixador português em Inglaterra após Outubro de 1911, onde se encontrava a família real portuguesa no exílio.
Demite-se da Presidência após pouco mais de 2 anos no cargo, num contexto de enorme perturbação política e social. Alguns dias depois embarca para a Argélia, num auto-exílio voluntário, sempre em oposição ao Salazarismo (a ditadura militar iniciou-se 6 meses depois, abrindo espaço para o surgimento do Estado Novo em menos de um ano).
Morre aí em 1941, deixando uma consideravel obra literaria, mas só em Outubro de 1950 os seus restos mortais voltaram a Portugal, numa cerimónia que veio a tornar-se provavelmente na mais controversa manifestação popular, ocorrida na já então cidade de Portimão, nos tempos do Salazarismo.

060

Percurso curto que termina na placa em frente à igreja Universal do Reino de Deus. Estamos a passar agora os 16km e as pernas começam a pesar (pelo menos as minhas…)

********************************************************************************************

Etapa 8: Marechal Gomes da Costa (1,3km)

20120923-221311.jpgManuel de Oliveira Gomes da Costa (n. 1863 – f. 1929)
Enquanto militar, destacou-se nas campanhas de pacificação das colónias, em África e na Índia, e ainda na I Grande Guerra.
Enquanto político, foi o líder que a direita conservadora encontrou para liderar a Revolução de Maio de 1926 em Braga (isto após a morte do general Alves Roçadas, que deveria ter sido o chefe).
Não assumiu de início o poder, que foi confiado a Mendes Cabeçadas, o líder da revolução em Lisboa; como os revolucionários julgassem a atitude deste um pouco frouxa, Gomes da Costa viria a alcançar o poder, após um golpe ocorrido em 17 de Junho de 1926.
O seu Governo não durou muito mais que o de Mendes Cabeçadas (18 dias); Uma nova contra-revolução, chefiada pelo general Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa após 22 dias.
Foi enviado para o exílio nos Açores e promovido a Marechal do Exército Português. Regressou ao Continente um ano depois, tendo falecido em condições miseráveis, sozinho e pobre.

557119_509829015693987_711380628_n

Na chegada a casa deste Presidente tinhamos mais alguns amigos à espera para seguirem viagem connosco.

Foi muito engraçado a passagem aqui devido ao grande número de pessoas que se cruzam connosco na saida da feira do relógio e que olhavam para nós a tentar descobrir se estavam no meio dum episódio dos Apanhados ou alguma coisa do género hahahahahaha Smile

063

********************************************************************************************

Etapa 9: Bernardino Machado (4,89km)

20120923-223935.jpgBernardino Machado (n. 1851 – f. 1944)
Nascido no Rio de Janeiro, filho do Barão de Joane, cursou filosofia em Coimbra e foi membro da Maçonaria com cargos dirigentes desde 1892 até à sua morte, incluindo Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.
Durante a monarquia, foi deputado pelo Partido Regenerador (1882), Par do Reino (1890), e ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (1893).
Aderiu ao Partido Republicano em 1903. Durante a República foi o primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros desde 5 de outubro de 1910 até 3 de setembro de 1911 e o primeiro embaixador de Portugal no Brasil (1913).
Foi duas vezes Primeiro-Ministro de Portugal (durante 10 meses em 1914 e 2 meses em 1921).
Foi Presidente por duas vezes. Primeiro, de agosto de 1915 até dezembro de 1917, quando Sidónio Pais, à frente de uma junta militar, dissolve o Congresso e o destitui.
Depois em 1925, volta à presidência da República para, um ano depois, voltar a ser destituído pela revolução militar de 28 de maio de 1926, que instituirá a Ditadura Militar e abrirá caminho à instauração do Estado Novo.

 

Este era o troço mais longo do percurso e tinha ao fim de 1,2km o segundo abastecimento liquido, no parque de piqueniques ao lado da Av. Brasil

380048_490845494268692_521803921_n

2012-09-23 15.50.38

O nosso guia nesta etapa decidiu “explorar novos mundos” e andámos um pouco desencontrados. Acabou-se por ir primeiro à Quinta das Conchas, onde tinhamos lavabos disponíveis.

2012-09-24 08.03.31

E só depois fomos visitar o Presidente. Um Presidente da Republica brasileiro… que o tuga gosta de originalidades Smile

066

********************************************************************************************

Etapa 10: Marechal Craveiro Lopes (1,35km)

20120923-222955.jpgCraveiro Lopes (n. 1894 – f. 1964)
Filho do General Craveiro Lopes que era Governador da Índia Portuguesa, frequentou o Colégio Militar e depois a Escola Politécnica de Lisboa.
Voluntario no Regimento de Cavalaria, em 1915 é mobilizado para a fronteira Norte de Moçambique, onde defronta as tropas alemãs durante a Primeira Guerra Mundial, distinguindo-se com bravura na defesa do forte de Nevala e combates de Kivambo, recebendo aos 23 anos, a Cruz de Guerra e sendo feito Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Em 1918 tira o curso de piloto militar sendo depois instrutor de pilotagem, fez o levantamento aéreo de Goa, Damão e Diu (1929) e ainda o 1.º voo de Correio aéreo Goa-Bombaim-Goa num avião monomotor (em 1930).
Chefe de Gabinete do Governador da Índia, governador interino e Governador Geral da Índia entre 1933 e 1938, é nomeado comandante da Base aérea de Tancos em 1939.
Comandante-geral da Aeronáutica em 1941, negocia as condições de utilização da Base Aérea dos Açores pelos Estados Unidos, após o que é designado comandante da Base Aérea dos Açores.
De 1944 a 1950, exerce as funções de comandante-geral da Legião Portuguesa, tendo sido promovido a General em 1949.
Em 1951, pouco após a morte de Carmona, é indigitado pela União Nacional como candidato às eleições presidenciais, sendo eleito a a 21 de Julho de 1951. (interinamente, a presidência da república foi assumida por Salazar).
Apesar de ter sido julgado um candidato capaz de suscitar consensos, cedo viria a revelar a sua frieza nas relações com o Presidente do Conselho e a demonstrar até, uma certa simpatia pelos oposicionistas. Por isso mesmo, não foi proposto para um segundo mandato presidencial.
Depois de retirado da política activa, foi feito Marechal da Força Aérea; ao mesmo tempo, manteve sempre os contactos com os líderes da Oposição, e esteve associado ao golpe de Botelho Moniz, em Abril de 1961.
Veio a falecer em Agosto de 1964, aos 70 anos, durante a noite, em situação pouco clara (enfarte de miocárdio?).
Este Senhor (com letra maiúsculas) teve pormenores na sua vida política de fazer corar de vergonha (ou nao) os actuais políticos…
Sobre a sua integridade moral, é conhecido que todas as ofertas de estado e presentes pessoais que lhe ofereceram, foram doados a instituições e obras de caridade. Apenas guardou para sí algumas das medalhas e ofertas de menor valor.
Conta-se que seu filho, Nuno Craveiro Lopes com sua mulher, então grávida, se encontravam entre os passageiros do comboio da linha do Estoril que descarrilou devido à derrocada da barreira junto ao farol de Caxias, em 1952. Embora não tenham ficado feridos, no meio da confusão entre mortos e feridos a esposa ter-se-á sentido mal. Não sendo possível arranjar transporte no local, o filho telefonou ao Presidente, no sentido de lhe enviar um carro da Presidência para os levar a casa. O Presidente, depois de se certificar de que se encontravam bem, retorquiu que não podia dar ordem para enviarem o carro pois estes eram exclusivamente para serviço oficial; que procurassem um taxi para o efeito. E seu filho assim fez.
Nas visitas ao Ultramar, fez saber que não aceitava diamantes, metais de valor, peles, marfim, e coisas semelhantes. Até um boi que lhe foi oferecido pelo Rei do Congo, que não podia recusar por motivos de protocolo, foi abatido e comido pelo seu povo, com grande satisfação.
No fim do mandato de Presidente da República, o Governo de Salazar tentou “amenizar” a desfaçatez de não ter proposto o General Craveiro Lopes a um novo mandato com a sua promoção a Marechal, incluindo também a atribuição de uma casa para sua residência, e um automóvel do Estado, para seu uso pessoal. O ainda Presidente Craveiro Lopes, fez constar que não aceitaria qualquer benefício ou privilégio de parte do Governo, que não estivesse já publicado em lei. No respeitante a uma eventual promoção a Marechal, só a aceitaria se ela fosse da iniciativa das Forças Armadas e não do Governo.
Foi assim que num dia do mês de Fevereiro de 1959, uma representação de Oficiais Generais foi recebida, pelo então ex-presidente, na casa alugada para sí por seus filhos, sita na Rua Sinel de Cordes, num 1º andar em Lisboa, onde o foram cumprimentar e transmitir a sua promoção a Marechal.
O bastão e estrelas de Marechal da Força Aérea, para vergonha do governo de Salazar, foi-lhe oferecido, por subscrição pública da população de Moçambique que nutria por si um carinho e admiração especial, principalmente pelas posições que defendia, contrárias às políticas coloniais de Salazar. A iniciativa foi do Diário de Notícias de Lourenço Marques e foi um êxito, tendo-se recolhido uma pequena fortuna.
Por seu desejo expresso, após a sua morte, foram oferecidos à população de Moçambique, ficando depositado no Museu Militar da Fortaleza de Lourenço Marques.

070

Gostei muito de conhecer a biografia deste nosso Presidente… Exemplar!!!

Como nota curiosa, a 2ª Circular tem 2 nomes: Do Campo Grande na direcção do aeroporto é a Av. Craveiro Lopes, na direcção do Colombo, e até ao 25 de Abril, era a Avenida Carmona (outro Presidente da Republica. Este por ser do periodo do Estado Novo, “perdeu” a sua avenida na Revolução).

********************************************************************************************

Etapa 11: Sidónio Pais (3,62km)

2012-07-23 18.20.55Sidónio Pais (n. 1872 – f. 1918)
“Morro bem, salvem a Pátria” – Diz a lenda que foram estas as suas ultimas palavras ao ser assassinado no Rossio.
Militar, docente e político chegou a major de artilharia, foi professor catedrático, vice-reitor (de Manuel de Arriaga) na Universidade de Coimbra, deputado, ministro do Fomento, ministro das Finanças, embaixador de Portugal em Berlim e presidente da República Portuguesa.
Germanófilo, sempre foi contra a participação de Portugal na 1.guerra mundial e chega ao poder ao chefiar o golpe de estado da Junta Militar Revolucionaria (que teve o apoio de muitos grupos civis, como sindicatos, grupos católicos e populações rurais).
Emite vários decretos, sem consulta ao Congresso da República, dando ao regime um cunho marcadamente presidencialista, fazendo do Presidente da República simultaneamente Chefe de Estado e líder do Governo (deixa de haver Ministros e passa a ter Secretários de Estado). Estabeleceu o sufrágio directo e universal para a eleição do Presidente da República, subtraindo-se à necessidade de legitimação no Congresso, o que lhe valeu o epíteto de Presidente-Rei. Foi eleito com 470 831 votos, uma votação sem precedentes, o que lhe deu legitimidade democrática directa.
O armistício da 1.Guerra, sem que o governo tivesse meios de fazer retornar as nossas forças, a pobreza e fome, a peste negra que assolou a capital no Verão e os movimentos conspiratórios dos que se sentiam defraudados levaram à contestação social.
Sidónio Pais foi morto 8 meses após ser eleito. Falou-se na Maçonaria, na Carbonária, até na GNR, mas vingou a versão do assassino solitário – José Júlio da Costa (Moita Flores publicou em 2011 um romance em que contesta esta verdade).
O assassinato de Sidonio Pais fez desaparecer qualquer aparência de estabilidade da Primeira Republica, instalando-se uma crise permanente que apenas terminou quase 8 anos depois com a Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 que deu origem ao Estado Novo.
Sidonio Pais teve, e tem, muitos detractores, mas por outro lado a sua imagem de mártir levou ao surgimento de um culto popular, que fez dele um santo, com honras de promessas e ex-votos, que ainda hoje se mantém, sendo comum a deposição de flores e outros elementos junto ao seu túmulo.

O nosso grupo devia ser impressionante para quem nos via passar Smile

0762012-09-24 08.04.23

Agora vamos lá “fazer” o Campo Grande. E que boa disposição ia por ali mesmo ao fim de 23 km!!!

078155105_490846930935215_2073750998_n

Antes da última visita, ainda passámos na rua que não podia faltar quando falamos de Presidentes da República… Av. 5 de Outubro Smile

081

********************************************************************************************

Etapa 12: Parque Eduardo VII – final (0,4km)

Assim se completam 27km desportivo-culturais Smile

603190_509829692360586_1352789181_n530025_509829532360602_733749975_n

Nem todos iam ficar (os almoços familiares domingueiros já chamavam alguns…) e assim fizemos uma foto de grupo – e já se pode observar os preparativos iniciais para o piquenique que se seguia…

083

E depois o nosso fantástico lanche com umas uvas maravilhosas, as minis, laranjas, pão com chouriço, batatas e muita agua fresca. E ainda o chá da Manuela Folgado, que esgotou num piscar de olhos!!!

2012-09-24 08.05.162012-09-24 08.04.54

2012-09-24 08.05.43377265_509829782360577_1655564965_n

093094

E nós ainda reproduzimos uma foto gira que tinhamos feito aquando dos reconhecimentos Smile

581484_490843267602248_1804592706_n

Contando com todos os troços participámos neste treino 28 pessoas. Alguns fizeram 10km, outros 19km, 24km, 27km e até houve pessoas, que à conta das “piscinas” a esperar pelo reagrupar de todos, chegaram aos 29km. Sei de pelo menos 3 pessoas que bateram records de distância percorrida: Adalberto Grilo, Carla Matos e João Catarino. A eles, os parabéns!

A próxima iniciativa será no dia 2 de Dezembro e estou a organizá-la com o Paulo Lapão.

Espero que se tenham divertido tanto como eu🙂 e deixo um grande abraço a todos!!!

PS: estou sem corrector ortográfico e o texto nunca mais acaba Smile perdoem (e digam para corrigir) qualquer erro…

8 thoughts on “Treino "Visita aos Presidentes"

  1. Grande treino com esta componente histórica feita pelo grande organizador e amigo José Bagina. Prometi que não ía à corrida do Destak para participar neste encontro com vocês e, o que tenho a dizer é que fiz a melhor opção!! Foi fantástico este encontro de amigos que temos em comum o gosto de correr. Estou espectante com o que vais organizar no próximo e, lá estarei se a agenda permitir.
    O meu muito obrigada a quem esteve nesta organização fantástica e a vossa grande generosidade pela bela banhã que tivemos. Bjinhos para todos!
    Manuela Folgado

  2. Tinha convite para a corrida do Destak, mas opetei por fazer este treino na vossa conpanhia e não me arrependi. Como diseste percorri a minha maior distancia e ainda por cima aconpanhado por voçes!!Um muinto obrigado pela camaradagem.
    Como disse á Manuela Folgado,nas corridas so conheci pessoas de bem….
    Adalberto Grilo

  3. Pingback: visita aos presidentes. « kmepalavras

  4. Pingback: 1 ano de “blogosfera”… | Uma Perna Atrás da Outra

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s