Corrida 1. Maio 2012

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O corpo humano é brutal…

Quando treinamos e nos preparamos para as actividades desportivas garantindo que tudo se alinha, o corpo reage! E muitas vezes leva-nos onde não esperávamos chegar, em performance, resistência, capacidade de sofrimento e superação.

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Mas quando, por qualquer motivo, a nossa preparação e condição não está “no sítio”… o corpo também reage, por vezes com mais intensidade ainda…

Hoje experimentei uma nova situação.

Depois do treino de domingo – 18km – entre a Vela Latina, as voltas no Jamor e o regresso a Belém, fiquei constipado (a chuvinha que nos visitou durante o treino deve ter colaborado).
Mas como bom novato neste mundo das corridas, nada como um pouco (ou muita) ingenuidade…

Febre ontem? Nariz entupido e pingo permanente? Corpo dorido? Naaaaaaa. Isto a malta treina, a corrida da semana passada foi a minha melhor de sempre, portantos vamos embora que se faz tarde.

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Sai normalmente e fui no meio dum grupo de R4F num ritmo ambicioso. Resultado? 2,5km a 4:23m/km e o coração a disparar. E aí veio a primeira epifania: vias respiratórias entupidas representam menos oxigénio a entrar e o coração a fazer um esforço extra para acompanhar as exigências😦

Percebi que aquilo não ia acabar bem. Estava a chegar aos 3km, num percurso plano e com ligeira descida na Av. Brasil e já tinha o batimento cardíaco acima dos 90%. Faltavam 12km e a estreia na subida da Almirante Reis para a qual tanta gente alerta.

Primeiro momento de humildade e vamos lá tirar o pé do acelerador. Mudança de planos, a ideia agora é acompanhar a Mónica e ajudar a bater o tempo feito por ela nas Lezírias…

Mas a verdade é que o corpo estava “chateado” comigo e a minha inconsciência🙂 e depois do batimento cardíaco alto, mandou-me uma bela duma dor de burro ainda antes do Campo Pequeno… segundo momento de caminhada e a coisa melhorou. Do Saldanha ao Terreiro do Paço a descida facilita a vida, mas quando estávamos na Rua da Prata a coisa voltou a descambar. A energia ia-se gastando com o passar dos km’s, o ânimo muda quando as coisas não estão a correr bem e comecei a pensar que “só” queria chegar ao fim.

Fiz a Praça da Figueira, o Martim Moniz e aos 9km… Almirante Reis! E aí já tudo custava… Mesmo com ritmos de 6:00, 6:30 ou mesmo 7:00 o BC não baixava dos 160’s e tive que assumir que hoje não era dia nem para ajudar a Mónica…. “Vai embora, que eu já lá vou ter”.

E assim fiz aqueles 3km a subir, umas vezes a correr, outras a andar. Fantástico os corredores que passavam e me incentivavam. Foram pelo menos 5 ou 6, alguns deles a puxar por mim, outros a acompanhar-me por algum tempo.

Muito bom também o grupo grande de espectadores que estava na zona da Fonte Luminosa a aplaudir os atletas que passavam antes da parte mais íngreme da subida. Os gritos e palmas dão um verdadeiro empurrão, pois quando olhei para o relógio reparei que tinha acelerado um pouco ao passar no meio daquelas pessoas. A parte final da subida até ao Areeiro foi na companhia do Artur Beja, que estava a chegar aos 21km pelo que já tinha corrido antes da prova.

A verdade é que foi a prova mais difícil de concluir até hoje e que mais me custou, mesmo tendo caminhado várias vezes entre a Praça da Figueira e a estação de comboio do Areeiro para baixar o ritmo cardíaco. Até a “subida” da Av. da Igreja me pareceu difícil.
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O fim das provas dentro de estádios é sempre mais emocionante, talvez por nos recordar momentos bem intensos com a Rosinha ou o Carlos Lopes nas suas vitorias olímpicas… Quando cheguei já estavam os laranjas a tirar as fotos da praxe.
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Que me sirva de lição🙂 nem todos os dias são dias de PBT’s, há que respeitar o corpo e escolher o FUN em vez do RUN

Resultados finais:
1:26:23 para uma distancia de 14,88km, com um ritmo de 5:48 ao Km
1:26:46 de tempo oficial

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Vamos ver se me recupero bem até domingo para a Corrida D. Estefânia…

4 thoughts on “Corrida 1. Maio 2012

  1. Tens de te lembrar que já não vamos para novos caro amigo…como disseste, nem todos os dias são dias de PBT’s…mas o que interessa é agarrar na toalha e metê-la à volta dos ombros em vez de a atirar ao chão!! Nem todos podemos ser Carlos Lopes ou Antónios Pintos…mas também não temos de ser Paulos Guerras!!! De quando em vez há que abrandar pá…na minha corrida no passado Domingo, lancei-me a 4.05 /4:10 nos primeiros 4 kms…depois tive de baixar um pouquinho porque senão não ia ver a linha de meta…depois de adoptar um ritmo perto dos 5 mins por km lá consegui recuperar, voltar ao bom ritmo e chegar ao final dos 10 kms em alta, em 43m46…fiquei em delirio…não desisti😉

    Nem sempre se pode ser um Bekele…:P Mas olha que Domingo conto contigo lá na Estefânia..quero ver se faço um PBT😛

    Abraço.

  2. Parabéns Zé. Foi um bom desafio. Aquela subida da Baixa até o Areeiro não parece mas quem faz aquilo de carro não imagina que aquilo sempre a subir e a correr não é nada fácil.

  3. José

    Não fazer disso motivo de desânimo. Há dias assim e sabemos bem que quando a respiração não é a melhor os músculos não ‘obedecem’.

    Agora é deixar passar uns dias (mesmo sem treinos) e vai fazer a prova na Estefânia na maior. Não é de uma semana para outra que tudo se desmorona não treinando mas desmorona se persistir o corpo numa atividade para qual não está fisicamente capaz.

    As melhoras!

    P.S. – Vou colocar o endereço do blogue no meu.

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